É um absurdo o discurso que o ex-presidente da nossa corrompida república vem fazendo, insuflando uma luta de classes. Não tenho dúvidas de que se trata de uma estratégia ardilosa de jogar uma cortina de fumaça sobre a discussão da corrupção do governo do seu partido.
Parafraseando nosso querido Gonzaguinha, ele “precisa é ter consciência do que representa neste exato momento”. Ou seja, é uma irresponsabilidade da parte dele semear o ódio entre “as classes” – que não esqueçamos, são compostas de seres humanos.
Ele parece ter parado no tempo ao continuar vendo o mundo na visão “comunista” de luta de classes. O mundo é outro! A desigualdade social existe, reconheço, e ainda acrescento: só aumentou nos últimos anos! O modelo capitalista precisa ser revisto. Mas dai a dizer que existe uma classe ou uma categoria subversiva – reacionária – querendo impedir a melhoria da qualidade de vida dos miseráveis, ou pior, querendo impedir a ascensão dos mais pobres é um verdadeiro absurdo. Os mais ricos só ganharam com a ascensão dos mais pobres. Por que o mundo todo quis investir no Brasil? Por aqui qualquer incremento na renda, principalmente das classes D e E, representava (e ainda representa) grandes volumes de vendas e receitas para as empresas. Não tenho a menor dúvida de que ele sabe muito bem disso!!!
Por fim, quem é essa tal “elite”? Sou eu? Pobre de mim! Não posso reclamar da vida, mas não tenho como me ver como elite! O conceito de elite pressupõe um valor ou uma qualidade e para valorar ou qualificar algo é necessário haver algum tipo de comparação ou referencial. Desse modo, serei sempre elite para alguém assim como sempre haverá uma elite para mim – a classe D é elite para a classe E; a classe C é elite para a classe D. Portanto mais um ato funesto de uma pessoa que já representou os menos favorecidos um dia, mas que fracassou quando teve a oportunidade de fazer alguma coisa.
João Xavier
