Competência: Foco no cliente

Para quem não acompanhou nossa jornada a respeito do tema “competência”, recomendo a leitura do artigo “Crowdsourcing: Competências” onde procurei apresentar uma definição de competência, e cuja proposta foi provocar a discussão a respeito de uma competência em específico, no caso: “Foco no Cliente”, para assim cocriar uma definição, diminuindo assim a subjetividade do tema e aumentando a sua compreensão.

Compilei todos os comentários de todas as mídias onde o artigo foi publicado (Linkedin, Facebook, Twitter e Instaram), resultando no quadro abaixo:

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A medida em que respondemos a perguntas como: “O que é ter foco no cliente? O que faz uma pessoa para podermos afirmar que ela tem foco no cliente? Como se comporta? Que tipo de resultado produz?”; temos condições de ir classificando as palavras-chave entre conhecimento, habilidade, atitude e resultados. Depois, tendo essa visão geral expandida, podemos então sintetizar o quadro, na busca de uma simplificada definição. Minha sugestão para esse caso é:

“Compromete-se com a satisfação do cliente. Respeita, ouve e conhece as necessidades dos clientes e propõe soluções de acordo com essas necessidades”.

De posse dessa definição e do quadro analítico, temos melhor condição de discutir o desenvolvimento dessa competência, vejamos:

De acordo com nosso quadro, um(a) profissional focado no cliente conhece:

  • A necessidade do cliente
  • Os atributos do produto
  • O Negócios ou a Indústria
  • Negociação

Desse modo, para nos desenvolvermos nessa competência, precisamos estudar mais o cliente o negócio e o produto. Portanto, apostilas, manuais, treinamentos, pesquisas – podem facilmente proporcionar o desenvolvimento desta competência.

Na verdade, a parte da competência – Conhecimento – é facilmente adquirida através do: estudo, questionamento, reflexões, meditações, leituras.

Agora vejamos como se adquire habilidades. No nosso caso, definimos que habilidades em foco no cliente são:

  • Percepção
  • Empatia
  • Saber ouvir
  • Negociação
  • Argumentação

A habilidade se desenvolve praticando. A prática envolve o exercício e reflexão, por exemplo: para melhorar minha habilidade em ouvir eu tenho que me propor a ouvir o cliente e depois refletir sobre como foi essa escuta, procurando por pistas de como poder ouvir melhor da próxima vez.

Eu posso procurar por conhecimentos teóricos e técnicas a respeito do assunto e coloca-las em prática. Assim fazendo, com atenção, paciência e perseverança, com o tempo terei desenvolvido essa habilidade.

Por fim temos o quadro atitudes. É aí que “o bicho pega”. Como desenvolver o “interesse pelo cliente”, por exemplo? A coisa parece inata. É como se pessoas já nascessem com interesse pelo cliente ou não. Se nunca me interessei por ele, como posso agora passar a me interessar?

Pois bem, quando falamos do desenvolvimento de atitudes, temos que falar em crenças, valores, princípios. A partir do momento que adquiro a crença de que “é cliente quem paga meu salário”, por exemplo, automaticamente passo a ter maior interesse por ele. Desse modo, desenvolver atitudes é ao mesmo tempo a coisa mais fácil e mais difícil de se conseguir. Fácil porquê uma vez adquirida, torna-se automática; difícil porque para adquiri-la se faz necessária uma profunda mudança de valores.

Agora coloque tudo isso no liquidificador e bata. Isso mesmo, para o desenvolvimento de competências todas essas “técnicas” têm de andar juntas, ou seja, treinamento, estudo, reflexão + treino, prática, exercício + questionamentos e meditações profundas à respeito de princípios, metafísica, natureza das relações e das coisas.

Por isso, ao adotar um modelo de gestão por competências, toda uma cultura de competências deve ser também adotada. Um plano de desenvolvimento holístico e sistêmico deve ser implementado – muito treinamento, coaching, mentoring, comunidades de prática, gestão do conhecimento serão necessários!

Crowdsourcing: Competências

Competência é um termo muito usado ultimamente na comunidade de recursos humanos e no mundo organizacional. A evolução da ciência da administração, principalmente no que concerne a gestão de pessoas, chegou na “era” da Gestão por Competências – que consiste em contratar, promover, remunerar, premiar e gerir os recursos humanos segundo os níveis de competências do funcionário.
É uma metodologia interessante, devidamente alinhada à meritocracia e que tem uma forte restrição: o alto grau de subjetividade.
A subjetividade já se inicia com a definição do próprio termo. Competência se origina do Latim competere, de com (junto) + petere (disputar, procurar, inquirir), portanto, carrega consigo o sentido de disputa, competição, luta; assim como o sentido de procura, inquisição, investigação – algo aparentemente bem diferente do sentido que usamos na Administração de Recursos Humanos, mas vejamos:
O primeiro sentido, o de luta, disputa ou competição – é plenamente condizente com os tempos modernos, haja visto que nunca se viu tanta competição quanto nos tempos de hoje – a luta pelo dinheiro do cliente, a luta por um emprego.
O segundo sentido, o de procura, inquisição ou investigação, leva ao uso jurídico da palavra, que acabou por significar jurisdição ou autoridade conferidas a um juiz ou a um tribunal – os devidos responsáveis pela procura e inquirição: aqueles notoriamente detentores do conhecimento.
Diante disso, uma pessoa competente é aquela com capacidade de vencer uma competição, logo, pode ser a ela conferida autoridade para executar ou liderar determinado grupo ou determinada situação.

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Gosto da definição da Maria Tereza Leme Fleury que, além dos conceitos: conhecimento, habilidade e atitude, acrescenta o “resultado” – no quadro abaixo: “que agreguem valor econômico”.

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Agora que já conseguimos um bom entendimento do conceito de competências, vem o pior: colocar esse conceito em prática, ou seja, (1) determinar o quanto uma pessoa é competente e (2) como me tornar competente.

Para “medir” o quanto uma pessoa é competente, temos que mais uma vez definir competência, só que agora uma competência em específico, por exemplo, competência em “Foco no cliente”. O que é ter foco no cliente? O que faz uma pessoa para podermos afirmar que ela tem foco no cliente? Como se comporta? Quais são os conhecimentos, habilidade e atitudes necessárias? Que tipo de resultado produz?

Como podem ver, tenho muitas perguntas, mas poucas respostas! Vamos aproveitar a maravilha da internet, das redes sociais para construirmos juntos esse conceito? Convido você a deixar sua opinião, suas respostas para os questionamentos acima. Deixe nos comentários abaixo ou no inbox. Participe desse crowdsourcing!

Na semana que vem, após compilar todas as opiniões, teremos melhor condição de discutir competências e, principalmente, de falar sobre (2) como desenvolvê-las.

Vamos montar juntos esse quadro:

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Sua empresa está no Porta dos Fundos? Episódio 2 – Entrevistas

No artigo do mês passado, abordei no artigo “Sua empresa está no Porta dos Fundos? Episódio 1 – Surrealismo a irracionalidade do mundo organizacional: mais especificamente os absurdos que acontecem em algumas empresas.

Hoje tratarei da entrevista de emprego, lembrando que nos próximos serão abordados: Profissionalismo, Comunicação, Demissão, Feedback e Inteligência emocional.

Para isso selecionei 3 vídeos do Porta dos Fundos que tratam da situação de entrevista, vejamos:

  1. Currículo

A entrevista é pautada no currículo. O entrevistador analisa o currículo e prepara suas perguntas de modo a sanar dúvidas em relação as posições ocupadas pelo profissional e, principalmente, explorar melhor as experiências adquiridas, portanto, o currículo é peça fundamental para a condução de uma boa entrevista.

O problema é que sabemos da dificuldade que o selecionador tem quando da triagem do currículo – o volume de currículos e informações é muito grande, de modo que o nosso currículo tem grande chance de ser preterido sem ao menos ter tido uma boa e atenta leitura. Para maximizar as chances do currículo ser melhor apreciado, fazemos uso de palavras elegantes e exageramos – apenas um pouquinho – nas experiências. O problema é que depois você terá de provar para o entrevistador, através de exemplos reais, tudo aquilo que foi escrito.

  1. RH bom RH mau

Entrevista de emprego já é estressante o suficiente – não é preciso querer se impor sobre o entrevistado! Acontece que tem muito entrevistador incompetente ou inseguro que acha que se der uma de durão, de malvado ou de profundo conhecedor, terá menos chance de ser enganado pelo entrevistado.

O vídeo é uma piada, mas já vi muitos entrevistadores achando que “tem que botar banca”. Uma entrevista não é um interrogatório, mas sim uma conversa com o objetivo de conhecer a fundo (e profissionalmente) a pessoa. O entrevistado não deve esconder nada e o entrevistador não está lá para descobrir seus “crimes”.

 

  1. Entrevista de emprego

Outro ponto importante é que uma entrevista não é um jogo de medição de forças. De lá não sai nenhum ganhador ou perdedor – na verdade trata-se de escolher aquele que, acredita-se, seja o melhor para a situação em específico.

 

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Gosto muito de usar o humor para o aprendizado. Nada melhor de rir de si mesmo, rir das situações – isso pode tornar o desenvolvimento menos doloroso: podemos identificar e mostrar nossas falhas com mais leveza, mais franqueza – o único jeito de aprender é reconhecendo aquilo que não se sabe!

Nas últimas semanas falei muito sobre entrevistas (foram 3 artigos sobre o tema), se quiser saber mais clique aqui e veja todas publicações.

Espero que tenha se divertido bastante com esse artigo, caso afirmativo, compartilhe! Dia 10/06 publicarei a parte 3 – tratando de Profissionalismo.

Feedbacks em processos seletivos

Após os 2 artigos da série sobre entrevista de emprego (Cuidados da entrevista de emprego- Lado A e Cuidados da entrevista de emprego – Lado B), percebi, através dos comentários dos meus amigos do Linkedin, que a questão do suprimento de informações sobre o andamento do processo por parte do selecionador para com o candidato é um ponto crítico.

Resolvi então escrever nesta semana especificamente sobre esse item. Vou tentar deixar mais claro minha opinião a respeito deste tema:

É importante ressaltar que o selecionador não é obrigado a dar retornos aos currículos apresentados. Mesmo que ele quisesse, não teria condições físicas de explicar para 10, 200 ou 500 currículos, a razão do preterimento no processo.

Na fase de avaliação de currículos o volume de trabalho é muito grande e as razões para desclassificação são diversas – inclusive muitos enviam seus currículos sem ter algo a ver com a vaga. As vezes até a própria descrição da vaga é pobre, de modo a confundir o candidato. Portanto, enviar currículo para a vaga e não ter resposta alguma é permitido!

Desse modo, nossa conversa começa a ficar interessante a partir do momento em que se contata o candidato. Depois de uma abordagem por telefone, ou mesmo troca de e-mail tirando dúvidas a respeito da trajetória do profissional, o posicionamento deste em relação ao processo passa a ser obrigatório.

Se o selecionador percebeu, durante a ligação (ou pela resposta ao e-mail), que o profissional não está adequado ao perfil da vaga, ele deve aproveitar o momento para já avisar sobre os pontos de desalinho. O melhor a fazer é dizer logo e não carregar esta pendência – mesmo porque depois fica difícil lembrar essas razoes.

Se o candidato prosseguir no processo, então o selecionador passa a ter um envolvimento ainda maior e as expectativas (de ambas as partes) aumentam. A partir desse momento, se antes o retorno era obrigatório, agora passa a ser um crime – sob pena de ficar recebendo e-mails ou ligações de candidatos preocupados com a evolução do processo.

Portanto, se o candidato estiver diante de um bom profissional de seleção, ele nem precisará entrar em contato para saber sobre o andamento do trabalho – salvo a questão da ansiedade – ou melhor dizendo, da percepção do tempo. Para o recrutador o tempo passa rápido – e muita gente para entrevistar, muitos relatórios e avaliações para fazer… já para o candidato o tempo é lento, a entrevista foi ontem, mas parece que já faz uma semana.

Diante do exposto, minha recomendação é a seguinte:

1) Envie um e-mail no mesmo dia ou até o dia seguinte: dizendo que ficou contente por participar do processo e que está disponível e ansioso para trabalhar na empresa.

2) Se em até 10 dias o selecionador não der uma posição à respeito do processo: outro e-mail pode ser passado, questionado o andamento do mesmo. Atenção: pergunte sobre o andamento do processo e não sobre seu desempenho no mesmo.

3) Se ainda assim não tiver resposta: desista! Não vale a pena ficar cobrando uma posição desse tipo de profissional. Vire a página, siga seu caminho.

4) Caso haja resposta quando do item 2, siga um padrão de acompanhamento, através de e-mails, a cada 7 ou 10 dias (ou pelo prazo acordado pelo selecionador).

Como diz o ditado popular: o combinado não é caro. Portanto, aquele recrutador que combina os momentos e as formas de reporte não é incomodado pelos candidatos aflitos – carentes de informação; e o candidato não se sente mendicante.