Conversas sobre carreira e desenvolvimento

Nesta semana assessorei um profissional na sua candidatura à um recrutamento interno – uma nova posição gerencial que abriu em sua companhia. Foi um trabalho bem interessante: estava diante de um bom profissional, montamos uma boa estratégia de apresentação e ainda me inspirou a escrever este artigo.

O fato é que achei interessante reforçar a importância das conversas sobre carreira, principalmente com aqueles que possuem maior poder de influência sobre ela, por exemplo: chefe, cônjuge, pais, professores, empreendedores e especialistas em carreira.

#1Dica: mapeie as pessoas mais influentes em sua rede.

Cada uma dessas pessoas desempenham um papel diferente em nossas vidas, portanto, a conversa deve ser distinta uma das outras, isso porquê: o 1) grau de intimidade, liberdade, dependência, concorrência; 2) interesses, divergências e congruências com seus objetivos – variam de acordo com cada papel.

Todas as pessoas são importantes, cada qual em um aspecto: um pai quererá apenas o seu melhor, mas baseará a conversa segundo suas experiências; o cônjuge poderá se preocupar com a segurança e estabilidade da família; o chefe carregará consigo seus interesses e os da organização, porém é quem fornece maior influência.

#2Dica: prepare-se para cada conversa.

Portanto, reflita sobre os interesses e poder de influência de cada conselheiro e defina seu objetivo para a conversa sobre carreira.

A primeira coisa que pergunto quando um profissional almeja outro cargo dentro da sua organização é: Seu chefe está sabendo? Primeiro: se ele estiver apoiando, suas chances serão absurdamente maiores: não há nada melhor do que o endosso do chefe imediato; segundo: é sinal de que vocês têm uma boa relação e que conversam sobre carreira.

#3Dica: se você é gestor, provoque conversas sobre carreira com sua equipe.

É obrigação do chefe manter conversas sobre carreira com seus subordinados. As empresas buscam muito o engajamento – querem profissionais profundamente envolvidos, comprometidos, felizes e produtivos – enquanto os meus objetivos de carreira e de vida forem congruentes com os objetivos da organização em que trabalho, seguirei engajado, portanto, é obrigação do gestor procurar atender (o máximo possível – afinal não é fácil!) a este alinhamento.

#3bDica: se você tem um gestor, provoque conversas sobre carreira com seus superiores.

O contrário também é verdadeiro, ou seja, todo profissional deve procurar se informar sobre o seu desempenho e desenvolvimento, consultando sua chefia ou mesmos outros membros da diretoria, e sobre suas possibilidades e caminhos para sua ascensão.

Peço permissão para terminar este artigo “puxando a sardinha para o meu lado”, aproveitando para reforçar que, aconselhar-se com um especialista em carreira traz basicamente duas grandes vantagens: 1) Isenção total de interesses – o único interesse de um consultor de carreira é o sucesso do seu cliente, afinal, o seu sucesso é o meu sucesso; 2) Vasta experiência – um consultor de carreira carrega consigo não só suas próprias experiências, como também a experiência acumulada de seus clientes: é isso que eu mais amo na minha profissão: a possibilidade de aprender com a grande variedade de experiências dos grandes profissionais que atendo. Portanto:

#4Dica: consulte um especialista em carreira.

Sua empresa saiu no Porta dos Fundos? Episódio 7 (Final) – Inteligência Emocional

Enfim chegamos ao nosso último artigo desta série. Quem não leu (e assistiu) os outros pode acessá-los através dos links no final deste artigo.

Guardei para o último um tema que considero de extrema importância: Inteligência Emocional!

Durante muitos anos as emoções foram deixadas do lado de fora das organizações, enquanto a lógica e a razão eram muito valorizadas. Claro que lógica e razão são modelos mentais fundamentais para o mundo dos negócios: onde somente os mais fortes sobrevivem; mas o que acontece é que as empresas perceberam que é a emoção que move as pessoas.

A criação de valor para as organizações está cada vez mais relacionada ao conhecimento, a criação (inovação) e ao atendimento (prestação de serviços), deste modo, um ser-humano pensante e virtuoso passou a ser condição chave para mais valia.

O profissional hoje tem de saber lidar com: frustrações, jogo político (disputa de poder), idiossincrasias, alta competitividade e até mesmo com o sucesso (evitando os perigos da ambição desmedida, da arrogância e da prepotência). Ufa! Muita coisa, não?

Mas vamos aos vídeos:

O Porta do Fundos fez um vídeo ironizando o “sistema” de atendimento do Spoleto. Neste vídeo podemos ver um atendente completamente impaciente, mais especificamente intolerante.

Bem, esse vídeo não pegou muito bem para o Spoleto, no entanto, eles conseguiram dar a volta por cima. Não sei exatamente de quem partiu a iniciativa e nem as razões que os motivaram a fazer um segundo vídeo, que funcionou como uma retratação, revertendo assim a sua imagem.

Mas o mais importante acontece em relação ao nosso tema: Inteligência Emocional. O vídeo mostra claramente a necessidade e a dificuldade de controlarmos nossos impulsos.

Inteligência emocional, segundo Daniel Goleman é a gestão dos relacionamentos para causar impacto positivo nas pessoas. E para se gerir os relacionamentos são necessários: autoconsciência (ou autoconhecimento), autogestão (ou autocontrole) e consciência social (empatia) –  coisas que claramente a personagem não possuía!

Com este artigo me despeço dessa série – a menos que identifique outros novos vídeos com algum fundo de aprendizado profissional/organizacional.

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Emoticons e o Homem de Neandertal

Em meio a tanta evolução tecnológica voltamos a nos comunicar por sinais! Antes de dominarmos a escrita usávamos desenhos, símbolos e sinais para nos comunicar, agora que temos grande domínio da comunicação escrita voltamos a usar símbolos?

Deixo no Facebook e nas minhas mensagens do WhatsApp “pinturas” indicando o que estou fazendo no momento, ícones indicando meu estado emocional e imagens que confirmam minhas preferências.

Enfeito as paredes dos meus blogs e fan pages, do mesmo modo que o homem primitivo escrevia nas páginas de sua caverna.

Esses ícones, imagens, “pinturas” são conhecidos como emoticons. Eles dominaram a comunicação nos meios eletrônicos. Emoticon é uma junção das palavras emotion e icon, portanto trata-se de um ícone de emoção, nascido da nossa necessidade de expressar emoções.

Tudo começou no e-mail com ; – ) :-() :- ( rapidamente entendidos pelos programadores que transformaram em:

Depois, com o advento dos programas de comunicação, como icq, Messenger e WhatsApp, a coisa ganhou maior profissionalismo, chegando a seu auge com os emoticon e emoji que conhecemos hoje.

Os amantes da literatura podem dizer que os grandes autores sempre conseguiram imprimir suas emoções usando apenas palavras – daquelas aveludadas, aladas ou mesmos aflitas, sombrias: concordo! lindo! Mas, como passar emoção com palavras se não com o uso de metáforas? E o que é uma metáfora se não uma figura de linguagem.

Mas não pretendo propor uma comparação entre a literatura e a linguagem coloquial da internet, mas sim saudar a transformação da comunicação que, como qualidades: vejo a praticidade e acessibilidade, e como defeito: os problemas com a interpretação e o anacronismo.

Quero alertar para o fato de que a “regra” é a mesma, independente se a comunicação se der por palavras (oral ou escrita) ou com emoticons: o emissor codifica a mensagem e o receptor terá que decodificá-la, transmitindo o sentido ou o significado desejado pelo emissor. Portanto, se é verdade que uma imagem vale mais do que mil palavras, também é verdade que mil palavras geram mais significados do que uma.


Artigo originalmente publicado no Olhar Digital

Pode ser arriscado, mas a recompensa é grande!

Na semana passada postamos no nosso Instagram (ricardo_xavier_rh) a mensagem que se encontra na imagem do tema deste artigo e uma grande amiga perguntou se tratava-se de um artigo ou se era apenas uma mensagem. Fiquei curioso e a questionei sobre sua expectativa em relação ao desenvolvimento do tema e decidi desenvolver algo a respeito.

“Quanto maior o risco, maior a recompensa” parece ser mais uma das leis da natureza! Digo da natureza, pois ela se aplica desde as coisas mais simples, como a escalada de uma montanha; passando pela adrenalina dos esportes radicais; e chegando aos investimentos do mercado financeiro! Como pode? A regra parece se aplicar a tudo! Podemos então concluir que: é humano!

Mas o que acontece conosco? O faz com que nos submetamos a essa lei?

Quando pensamos em termos de investimentos: mercado financeiro ou empreendimentos fica mais fácil entender, afinal, o risco afasta as pessoas, gerando assim menor concorrência, de modo que, caso o investimento (ou ideia) der certo, você colher-se-á os frutos sozinho. No mercado financeiro é mais ou menos assim: é você apostando contra todos – se perder, terá de pagar todo mundo; mas se ganhar, receberá de todos!

Mas, e quando pensamos numa simples escala nas montanhas? Quando subimos ao cume de uma montanha estamos em contato não só com o risco (a depender da escalada o risco pode ser bem pequeno), como também com o esforço: o que pode potencializar a recompensa: chegar ao cume e relaxar apreciando a bela vista. Quanto maior for o risco e o esforço necessário para alcançar o topo, mais prazeroso será esse relaxamento e a apreciação da vista.

Enfim, damos valor aquilo que é raro! se é arriscado e/ou trabalhoso, poucos o farão!

No mercado de trabalho vemos algumas recompensas (como bônus, premiações e promoções) para aqueles que se dedicam, mas é bem mais difícil vermos recompensas para aqueles que se arriscam. Se um vendedor, por exemplo, adota uma estratégia arriscada em uma negociação com um cliente e a estratégia dá certo, sua percentagem de comissionamento será a mesma (claro que ele poderá ganhar mais por ter vendido por um preço maior, mas aqui fica claro a desproporcionalidade na equação risco x recompensa). Se um gerente assume o risco de um crédito de um cliente e ao final da operação, consegue receber tudo que fora compromissado, ele nada ganhará a mais por isso, em compensação, se o cliente não honrar com os compromissos, há uma grande chance desse gerente pagar o preço com seu emprego. Muitas vezes um atendente que se arrisca, ao fugir do protocolo de atendimento, para resolver uma queixa do cliente, e obtém êxito não recebe nem mesmo um parabéns por parte da chefia.

Os profissionais com perfil mais arrojado, mais “agressivos”, têm de ter paciência para passar pelas primeiras fases da carreira – cargos que permitem pouca participação da estratégia -, pois eles só poderão arriscar e obter recompensas proporcionais quando estiverem participando da estratégia ou quando a frente dos negócios. Do contrário, empreenda!

Portanto, só se arrisque, só se esforce, se acreditar que a recompensa será válida – lembrando que recompensa não é só dinheiro – também pode ser: reconhecimento (status), aceitação (pertencimento) e até mesmo: adrenalina!

Só acredito vendo

Acredito que todos conheçam a história de São Tomé que precisou ver Cristo para assim acreditar em sua ressurreição. A história é tão conhecida que São Tomé virou adjetivo (ou sinônimo) de descrente ou cético – o apelido é dado a qualquer pessoa que duvide e questione alguma coisa.

Acontece que, em tempos de internet e redes sociais, “ser São Tomé” nunca foi tão importante! Eu mesmo, de uns tempos pra cá, só acredito vendo! Tomei essa atitude depois de ver tanta bobagem, mentiras e maldades publicadas. Não podemos mais confiar em nada e ninguém – qualquer um pode sair por aí publicando inverdades sem medo de ser punido por isso.

Podem falar o que quiser sobre algum político ou alguma celebridade, pois eu só acreditarei se os vir falando ou ler um texto devidamente assinado. É complicado, eu sei! Tem gente que usa até editores de foto para alterar textos postados em redes sociais. Já vi até manchete de capa de jornal alterada – assim fica difícil! Já não bastava ter de escrutinar o conteúdo dos artigos e das mensagens, agora temos ainda que buscar as fontes e a veracidade de todas as informações.

Mais uma vez digo: a culpa não é da internet ou das redes sociais. A culpa é do ser-humano, a tecnologia só possibilitou a ampliação daquilo que já fazíamos no dia-a-dia (uns mais, uns menos, mas fazíamos), dando maior visibilidade para o esse fenômeno, qual seja: a capacidade de mentir, difamar, persuadir.

Tenho me policiado para não compartilhar bobagens e mentiras – quem compartilha também é responsável pelos possíveis efeitos negativos. Confesso que as vezes vejo alguns posts exagerados, de meia-verdade alguns até maldosos: fico morrendo de vontade de compartilhar – como que se gostasse que aquilo fosse verdade -, mas sacio a minha compulsão utilizando apenas um like.

Peço licença para a comparação com esse pequeno trecho da história de São Tomé, um tipo de licença poética, entende? Mas aproveito para registar uma importante distinção: quanto tratamos de espiritualidade, levamos em conta algo chamado “fé”, portanto, duvidar passa a ser algo grave. Mas quando tratamos de nós humanos, a lógica se inverte: mesmo sabendo que todos são inocentes até que se prove o contrário.

 

 

Cadê a verba do RH?

Em tempos difíceis a primeira coisa que as empresas cortam são os programas de retenção e desenvolvimento de seus colaboradores. Claro que as justificativas são nobres, como por exemplo, cortar em outros “lugares” antes de cortar “na carne”, e isso é válido. O problema é que não são só os recursos financeiros que são subtraídos: o tempo e a atenção da alta direção para esses programas também são automaticamente retirados.

A questão é que os programas de retenção e desenvolvimento dos colaboradores deveriam ser perenes, afinal os que melhor funcionam são aqueles amplamente difundidos e enraizados na empresa a ponto de fazerem parte da cultura. Esse é o “x” da questão! Fazer programas de retenção quando o mercado está aquecido e a empresa não quer perder profissionais para a concorrência, ou realizar programas de desenvolvimento apenas quando se tem verba para isto, é jogar dinheiro fora, explico:

– Os programas de desenvolvimento de profissionais devem estar devidamente alinhados à estratégia da empresa, de modo a suportá-la, apoiá-la: portanto, são programas de desenvolvimento de recursos humanos para o melhor cumprimento das metas. Se for pensando dessa maneira, desinvestir no programa representará atraso e/ou não cumprimento dos objetivos organizacionais. Claro que as mudanças do mercado, como a recessão, por exemplo, também afetam a estratégia, portanto, alterações de investimento são necessárias, mas estas devem ser pensadas em termos estratégicos e não em termos de fluxo de caixa.

– Já os programas de retenção, quando exclusivamente baseados em recompensas financeiras, nunca funcionarão em ambientes de crise. Esses programas devem estar fundamentados no alinhamento entre o desenvolvimento do profissional e da empresa – isso é o que chamo de engajamento! Enquanto houver congruência entre os meus objetivos e os objetivos da minha empresa, serei leal e comprometido com ela, mesmo que ela passe por uma crise! Vou além: compreenderei o momento e me esforçarei ainda mais para sairmos juntos dessa!

Parece utópico? Parece poesia? Para mim não! As relações humano/trabalho, humano/empresa vão muito além da nossa racional compreensão. Um simples obrigado, um singelo elogio do chefe motiva muito mais do que imaginamos.

Daniel Goleman, “o pai da inteligência emocional”, em seu último livro: Foco – a atenção e seu papel para o sucesso, relata a descoberta do cientista, Frans Waal, ao estudar os primatas: “quando um chimpanzé vê outro em apuros, ele primeiro imita o comportamento do outro (forma primaria de empatia), depois se aproxima e oferece algum consolo, como tapinhas na costa para acalmá-lo. As fêmeas oferecem com mais frequência esse tipo de consolo do que os machos, com uma exceção intrigante: os machos alfa dão consolo ainda mais vezes. Uma das funções básicas de um líder, parece, é oferecer apoio emocional adequado.

Portanto, muito pode ser feito para a motivação, engajamento, retenção e desenvolvimento dos profissionais com pouco recurso financeiro – é muito mais uma questão de preocupação empática e alocação do foco da alta administração do que dinheiro propriamente dito.

E você, já elogiou ou agradeceu a alguém hoje? Já teve uma conversa sobre desenvolvimento com algum colega?

Fofoca: veneno que circula nas organizações

A fofoca é um veneno que costuma circular nas organizações. Na verdade, onde há gente, há fofoca. Mas por que será que gostamos tanto de falar dos outros? Falamos dos outros por diversão, por maldade, distração, alívio e até mesmo promoção.

Falar dos outros por diversão pode acontecer de duas formas: a) chacota, gozação; b) simples narração de uma alguma acontecimento engraçado na vida da pessoa. Quando se trata de gozação as consequências não positivas, podendo acabar em bulling ou grande humilhação, mas quando se trata de narrativas divertidas, as consequências são positivas e o humor dos envolvidos fica elevado – desde que os personagens concordem com a divulgação do acontecido.

A diferença entre falar por diversão e falar por distração reside na natureza do que é comentado. No caso da distração os assuntos são mais simples, com quase nenhuma carga emocional e completamente inofensivos. Tratam-se de amenidades e pequenas curiosidades acontecidas com outrem.

A fofoca para alívio é para mim a mais interessante. É impressionante como falar da desgraça do outro nos ajuda a lidar com as nossas próprias desgraças. As vezes nos sentimos desolados, tristes e até meio deprimido, mas ao tomarmos conhecimento de alguém em pior condição, imediatamente “levantamos, sacudimos a poeira e damos a volta por cima”.

Mas a pior de todas as formas de fofoca é aquela que quer prejudicar, magoar, ferir ou denegrir o outro. Ah, quanta maldade reside em nós, seres humanos! Por que diabos temos o habito de falar mal dos outros? Bem, eu tenho algumas teorias: 1) se eu não consigo me “elevar”, posso baixar o outro de modo a parecer (ou me sentir) mais elevado; 2) posso expurgar um pouco da minha raiva, culpa ou incompetência colocando o outro em situação pior que a minha (mais ou menos como explicado na fofoca para “alívio”); 3) podemos também denegrir o outro para nos defender ou proteger. Se vejo meus colegas de trabalho como uma ameaça ao meu emprego ou à minha carreira, também posso recorrer a fofoca maldosa para “eliminar” meu concorrente.

De qualquer modo, quero parafrasear mais uma vez Eleanor Roosevelt:

“Grandes mentes discutem ideias; mentes medianas discutem eventos; mentes pequenas discutem pessoas”

Então vamos procurar manter a proza no nível das ideias ou mesmo dos eventos.

Por fim, tem a fofoca que visa promover determinado grupo ou pessoa. É uma fofoca do bem. É quando falamos bem de uma pessoa pelo simples fato de admirá-la, respeitá-la ou mesmo para ajudá-la a conquistar algo. Essa é uma fofoca saudável e que deve ser feita com a maior frequência possível.

Dizem que certa vez um discípulo chegou à Sócrates e disse:

– Mestre tenho algo a falar sobre “Fulano”, mas não sei se deveria dizer.

Sócrates então respondeu:

– Você já fez o crivo das 3 perguntas? Antes de dizer qualquer coisa você deve submetê-la ao crivo das 3 perguntas:

1º. O que você tem a dizer é verdade?

2º O que você tem a dizer tem bondade?

3º O que você tem a dizer trará algum benefício?

Se a resposta for não para qualquer uma das perguntas: cale-se!

Costumo apresentar o crivo das 3 perguntas em meus treinamentos e sempre comentava que: se levarmos a sério o crivo das 3 perguntas de Sócrates, não falaríamos mais quase nada. Mas, como sempre digo que aprendo mais com meus “discípulos” do que eles comigo, uma vez um participante me disse: “Não, muito pelo contrário: o desafio agora é manter a ‘taxa de conversação’, procurando por coisas boas para se falar!”.

A fofoca consuma ser comparada ao veneno. E qual o meio de circulação desse veneno? A boca, de pessoa para pessoa. Portando, qualquer um detém o poder de bloqueá-la: basta calar-se e não passá-la adiante!

 

 

Sua empresa saiu no Porta dos Fundos? Episódio 6 – feedback

O feedback é tema recorrente no mundo organizacional. As empresas perceberam que: a) as pessoas estão carentes de feedback; b) os profissionais precisam de feedback para saberem como estão desempenhando; c) a maioria dos gestores tem dificuldade em conduzir esse tipo de reunião.

A verdade é que o contexto organizacional dificulta bastante este tipo de conversa – muita coisa está em jogo: a reputação e aceitação do gestor e do subordinado, expectativas de desenvolvimento de carreira, expectativas salariais, comparações com colegas, enfim, o palco em que atuamos nas empresas não é favorável a este tipo de reunião. Já até a apelidaram de fodeback (desculpem pelo termo chulo, mas realmente considerei necessário para a proposta deste artigo).

Ao invés de discutirem a problemática existente nesse contexto, como: alta competitividade entre as empresas, rupturas tecnológicas e complexidade do ser humano (medos, ambições, motivações), preferem criticar esta ferramenta, claro que, propondo uma nova: o feedforward. Não caiam nessa: feedback e feedfoward são para mim a mesma coisa. O problema não é a ferramenta (feedback), mas sim seu uso. O problema está no “operador” e nas “condições de trabalho” (insumos, manutenção, recursos).

O assunto está bom, mas já é hora de diversão. Quem quiser saber mais sobre feedback recomendo a leitura do artigo: A arte de dar feedback.

  1. Bafo

Quem tem coragem de dar esse tipo de feedback? Esse é um dos assuntos mais delicados nos relacionamentos humanos: bafo, CC (mal cheiro nas axilas), vestimenta inadequada. As vezes evitar de magoar a pessoa pode ser na verdade o pior para ela. Mas conduzir este tipo de conversa não é nada fácil mesmo. É preciso certa intimidade, ou mesmo ir direto no assunto: é melhor um terror imediato do que um terrorismo sem fim: fale logo, vá direto ao ponto! Só é preciso respeito, nada mais – muito melhor do que ficar comentando sobre a pessoa pelos corredores, não é mesmo?

  1. Mundo dos negócios

Esse vídeo eu acho genial! Sempre uso em meus treinamentos, pois é muito comum o gestor falar de uma forma que o funcionário realmente não consegue entender, seja porque não tem coragem, seja porque não consegue mesmo se expressar.

Dá para notar o esforço do funcionário em tentar compreender o que o chefe fala. Chega até a fazer perguntas, mas tudo em vão! Mas uma coisa ele compreende com clareza: “o Ricardo do marketing falou …”. Isso ele seu instinto de proteção consegue pegar com facilidade.

Depois de muito tentar, ele desiste e parte para uma estratégia muito mais inteligente: passa a apoiar o que o chefe diz e pede sugestões. A tática funciona e em pouco tempo ele reverte a situação, finalizando a conversa com uma ligação para o Ricardo do Marketing. Simplesmente genial e totalmente condizente com o que vejo acontecer nas empresas – não em todas, é claro. Mas, e na sua, ou com você, já aconteceu?

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Estamos chegando ao final dessa série. No próximo mês tratarei o último assunto: Inteligência emocional. E para quem não leu os anteriores, abaixo encontram-se os links:

3 lições que aprendi com Usain Bolt

Usain Bolt entrou para a história! Suas conquistas são indiscutíveis e sua fama já beira o Mito! Essa mistura de: Jamaica + resultados + simpatia + dancinhas e sorrisos transformou nós brasileiros em fãs.

Eu acompanhei as suas provas e muito do que a imprensa falou sobre o astro e, ao final dos jogos, aprendi com ele algumas lições as quais gostaria de compartilhar:

  1. Sobre concorrência

As melhores marcas atingidas pelo atleta se deram em provas disputadas por grandes concorrentes. Na edição 2016 dos jogos olímpicos, o mito não bateu nenhum recorde e seus ouros foram alcançados com certa facilidade, comprovando a tese do “tubarão no tanque”. Parece que realmente temos uma tendência ao comodismo e que só nos mechemos quando ameaçados.

Mito por mito: Prometeu roubou o fogo de Zeus e o entregou a humanidade e Zeus nos castigou com a inveja, cobiça, emulação

Em uma das baterias das semifinais, Bolt, já classificado, diminuiu o ritimo para poupar energia para as finais. Seu rival, De Grasse, do Canadá, também já estava classificado, portanto assim como Bolt, deveria se poupar – a “regra” estava implícita. Mas graças ao castigo de Zeus, De Grasse tentou superar Bolt, que, ao perceber a aproximação do rival, tratou de acelerar e vencer a prova, alcançando sua melhor marca da temporada.

Imagine ser um atleta e viver na mesma época que Bolt! Imagine ter um concorrente como Bolt! Acho que isso pode ser fonte de inspiração/motivação ou de tristeza/desmotivação – vai depender do quanto você foi tocado por Zeus, não é mesmo?

  1. Trabalho primeiro, lazer depois

Bolt se comporta de maneira extremamente profissional durante os jogos, mas assim que acabam suas provas ele parte para farra! Sim, claro, afinal ele não é um deus, ele é humano e também tem direito a álcool e sexo! Depois que ele morrer será outra história: ocupará sua merecida cadeira ao lado dos deuses do Olimpo, mas por hora ele é humano. Mas um humano responsável: respeita os treinos, as provas, as regras, os adversários e depois de tanto esforço e dedicação pode enfim comemorar, relaxar e gozar sua glória. Como que nas festas dionisíacas da Grécia Antiga ou no Carnaval do Brasil Atual

“E um dia, afinal / Tinham direito a uma / alegria fugaz / uma ofegante epidemia / Que se chamava carnaval / O carnaval, o carnaval” (Chico Buarque)

  1. A internet, seus meios de comunicação e viralização

Não temos mais nenhum controle sobre a comunicação. Qualquer Smartphone pode registrar um vídeo ou uma imagem e esta “ganhar a rede” em poucos minutos. Foi o que aconteceu com Bolt após sua festança dionisíaca, sua companheira não hesitou em tirar e compartilhar fotos com o atleta, afinal, de que adianta “ficar” com o Bolt se ninguém ficar sabendo!

A coisa viralizou de tal maneira, que hoje, ao fazer uma rápida pesquisa sobre o Bolt para terminar este artigo, 5 –  dos 12 resultados da primeira página do Google – destacavam essa fofoca! Caramba, seus feitos atléticos são quase tão importantes quanto seus feitos, digamos, carnais!?!?

Bom, para mim pouco importa. É um grande mito do atletismo moderno, ficará para a história e muito pude aprender com ele – só não aprendi a correr como ele, mas quem sabe um dia ainda alcanço um “pace” (ritmo) abaixo dos 5:45 (minutos/km)!?

5 Dicas para se tornar um profissional de sucesso

O mundo corporativo é cada vez mais exigente. As grandes transformações tecnológicas estão exigindo profissionais criativos, flexíveis e detentores de conhecimentos técnicos e de gestão, ao mesmo tempo. Ademais, essa mesma tecnologia vem provocando a diminuição dos postos de trabalho. Domenico De Masi já disse: “O trabalho operacional foi substituído pelas máquinas e agora o trabalho executivo está sendo substituído por computadores, só nos restará o trabalho criativo”. Se você leu até aqui, “guarde a sílaba “e””

Diante desse cenário, algumas posturas podem ser preditas para a construção de uma sólida carreira profissional:

  1. Selecione as informações

A maravilha da internet nos proporcionou um oceano de informações. Antigamente o desafio era encontrar a informação. Era preciso ir a uma biblioteca e pesquisar minuciosamente seu catálogo e suas enciclopédias. Hoje o problema é outro: filtrar a enorme quantidade de bobagens, inutilidades e, principalmente, mentiras.

A dica é: defina seus autores e seus veículo favoritos. Não perca tempo com os outros, a menos que esteja “zapeando” em busca de um novo “fornecedor”, e se você chegou até aqui, peço agora que guarde a sílaba “ter”

Muito cuidado com os e-books e palestras gratuitas. Não existe almoço grátis, trata-se de livros ou palestras degustativas, ou seja, superficiais, suficiente apenas para lhe deixar com gostinho de “quero mais” – o “pulo do gato” nunca é ensinado.

  1. Estude

Diante de tanta transformação, a melhor escolha é promover a transformação. John Richardson disse: “Existem 3 tipos de pessoas: as que deixam acontecer, as que fazem acontecer e as que perguntam o que aconteceu”.

Para se promover a transformação é necessário muito estudo. Não estou me referindo apenas estudo acadêmico, mas sim de um estudo holístico associativo. A criatividade funcionado de modo errático e associativo, portanto é preciso conhecimento nas mais diversas áreas e formatos. Guarde agora a sílaba “no”.

Muito cuidado: a sociedade te convence de que é preciso formações acadêmicas e te incentivam a pagar uma pós-graduação! Formações são bem-vindas, mas de nada adiantam se não vier junto com a experiência e com outros conhecimentos gerais e culturais.

  1. Molhe a camisa

É preciso muito empenho, muita dedicação. Tiger Wods disse que começou a ter sorte quando passou a treinar 12 horas por dia. Costumamos ver o sucesso dos outros e não paramos para refletir o preço que foi pago para alcança-lo. Muito provavelmente horas de lazer, com a família, foram sacrificadas. E por falar em empenho, se você chegou até aqui guarde agora a sílaba “a”.

Quanto maior a dedicação, maior é o aprendizado prático, experenciado – maior é a aquisição e construção do conhecimento tácito.

  1. Pare de ler textos que dizem “5 dicas para isso, 7 passos para aquilo”

Muito cuidado com esses tipos de posts. Melhor dizendo, cuidado para não cair na armadilha de ler apenas o superficial. Temos a tendência de achar que já sabemos o suficiente e aí lemos apenas os tópicos, quando muito damos uma rápida passada no parágrafo inicial, apenas para confirmar: “ah, isso eu já sabia”. Pare e pense comigo: por que será que você já sabia? Você já sabia porque está realmente lendo um texto superficial, escrito por alguém exatamente com esse propósito – por sinal, se chegou até aqui, segure a sílaba “pren”- o propósito de escrever algo apenas para chamar a atenção, dito de outra maneira: apenas para gerar audiência (page views).

Talvez agora perceba que esse texto também é uma armadilha. Mas é uma armadilha do bem. Fiz a pesca de sílabas exatamente para passar o que há de mais importante neste artigo para aqueles que realmente leem. Até por isso, não aguardarei a conclusão, vou dizer logo agora: junte todas as sílabas passadas com a última – “diz”. Pronto, agora tens o que há de mais importante para se alcançar o sucesso. Encontrou? Então deixe registrado nos comentários, quem sabe assim incentivamos os preguiçosos a lerem com mais atenção. Finalizarei com o último tópico, pois além de ser muito importante, ele nos ajudará a esconder esse parágrafo dos mandriões.

  1. Leia livros, ensaios; faça graduações, cursos

A questão é: leia livros ou ensaios e não posts. Faça formações, graduações, cursos e não palestras ou “webnares” gratuitos. Tenha mentores, professores, líderes, autores. Quando encontrar um bom: leia toda sua obra.

Com isso finalizo a minha singela lista! Sucesso a todos!!!