Cuidado com a baixaria na festa da firma!

Com a chegada de dezembro inicia-se a “temporada de festas de final de ano”, período em que temos que ficar atentos para não cometermos excessos, afinal, é muita tentação: comida, bebida, festas.

Mas a grande atenção deve ser dada as confraternizações das empresas! Afinal, nestas, deve-se manter o decoro – ou você pensou que decoro se aplicava apenas aos parlamentares?

É um pouco complicado misturar álcool (ou mesmo diversão) com trabalho: quero dizer: abusar do álcool, ou mesmo das brincadeiras, na presença do chefe pode não ser uma boa ideia. Quando bebemos diminuímos nosso senso crítico e falamos mais do que normalmente falaríamos: corremos o risco de ofender colegas, ou pior, o chefe, ou ainda “mais pior”, o chefe do chefe! Corremos o risco de parecermos tolos, de fazermos declarações amorosas a colegas compromissados ou a colegas que não compartilham do mesmo sentimento – e até mesmo de avançar o sinal, queimar a largada ou entrar mesmo na contramão.

Bom, depois de aprontar muita baixaria nesses tipos de ocasião, um amigo de um primo meu resolveu escrever algumas sugestões para quem vai enfrentar este tipo de situação:

– Chegue o mais tarde que puder na festa: isso reduzirá o tempo total disponível para a ingestão de álcool, e também te colocará em um grau de sobriedade maior do que o dos seus colegas;

– Beba devagar e intercalando com água: isso te manterá hidratado – contribuindo para a manutenção do seu sistema como um todo: o que incluí raciocínio e coordenação motora; e como na sugestão anterior, também te manterá um ou mais níveis alcoólicos abaixo dos seus colegas;

A ideia é não dar baixaria e não ser inconveniente com os colegas, portanto, combatendo o álcool, a maior probabilidade é de que apresentemos o mesmo comportamento que apresentamos no dia a dia, claro que um pouco mais animado, mais descontraído, porém, ciente de cada palavra que sai da boca – independente do que se tenha pensado ou sentido!

Mas não esqueçamos: é para festejar! brincar! se divertir! Por isso a última sugestão é:

– Dance, dance e brinque muito!: isso ajudará a expurgar os problemas do passado e reforçará o sentimento de grupo – como uma família: que sofre, briga, brinca e cresce junto.

Boas confraternizações!

O Desconfortável Marketing Pessoal

É muito comum em nossos atendimentos de couseling e coaching encontrarmos excelentes profissionais que não se sentem confortáveis em fazer o “tal do marketing pessoal”. Eles se queixam de se sentirem pedantes – não querem parecer exibidos. Esse é um sentimento natural, normal – o problema é justamente o contrário, ou seja: profissionais arrogantes, prepotentes e exibicionistas.

Trabalhei com um profissional que todo ano inventava um grande projeto para justificar seu emprego (e salário). Seus projetos não davam em anda. Nunca se via ou se conseguia mensurar os resultados, mas quando chagava o final do ano lá vinha ele com mais uma novidade. Este profissional era um grande especialista em marketing pessoal: sabia muito bem vender suas ideias e sua imagem – bom, pelo menos por uns 5 anos.

Profissionais competentes estão cansados de assistir casos como este e sua indignação e repulsa faz com que se sintam muito mal alardeando seus feitos. E isso só complica ainda mais nosso “teatro organizacional”, pois assim sendo: bons profissionais se acanham enquanto profissionais medíocres se inflam.

Com a intenção de motivar os bons profissionais a exibirem com mais frequência suas competências e resultados, quero primeiramente separar o joio do trigo: Marketing pessoal é uma coisa, propaganda é outra; e propaganda enganosa é ainda outra coisa.

Temos que pensar o marketing pessoal como um estudo de mercado, ou seja: oferta x demanda; atributo de produtos; diferencial competitivo; estratégias de posicionamento; precificação; e, claro, propaganda, divulgação.

Nesse ponto, aproveito para indicar o vídeo do meu grande amigo (e mentor), José Antônio Rosa.

Portanto, a parte mais importante do Marketing pessoal não consiste na propaganda: se toda a estratégia de marketing for bem estudada, bem planejada e bem executada, a propaganda tende a ser facilitada. A alta gerencia, percebendo os resultados, logo atribuirá valor ao responsável – como acontece com o “boca a boca” sua imagem profissional será divulgada, além do mais, sabemos que quando se tem um bom produto, fazer propaganda fica muito mais fácil. E quando o assunto for trabalho em equipe, a coisa fica ainda mais fácil! Exultar seu time nunca soará arrogante, pelo contrário, é sinal de nobreza atribuirmos o resultado ao grupo. Ademais, mesmo que um time tenha a figura de um grande atacante, quando o sucesso acontece, todos os membros que melhor desempenharam são identificados e creditados.

Propaganda, quando se trata de marketing pessoal, nada mais é do cuidar da sua imagem, servir de exemplo e gerenciar o impacto que tem causado nas pessoas.

Se este texto te ajudou a se sentir mais confiante em divulgar suas competências, compartilhe, quem sabe assim poderemos ampliar a quantidade de bons profissionais praticando o marketing pessoal.

Contrate pelo Potencial, e não só pelas competências!

O tradicional modelo de contratação por competências já está ficando defasado: carente de um “up grade”. O fato é que o conceito de competências está fundamentado na crença de que “o desempenho passado pode predizer o desempenho futuro”, ou seja: se um determinado profissional mobilizou conhecimento, habilidades e recursos com maestria, produzindo assim excelentes resultados a probabilidade que ele consiga repetir tal feito em outras situações é grande – grande o suficiente para contratá-lo!

Mas acontece que os negócios estão ganhando complexidade em proporções exponenciais. Fenômenos como: rupturas tecnológicas, competitividade entre as empresas e globalização estão tornando praticamente impossível predizer o desempenho de profissionais – tamanho grau de alteração do contexto.

A solução para melhorar a assertividade nos recrutamentos é a avaliação do potencial do profissional, e não só das competências – essa é a proposta de Claudio Fernández-Aráoz, em seu artigo: Caça a talentos no século XXI, publicado na edição de julho de 2014 na Harvard Business Review.

Fernández-Aráoz entende potencial como “a capacidade de se adaptar e crescer em cargos e ambientes cada vez mais complexos”; “capacidade de aprender, crescer e se adaptar a novos ambientes” e propõe uma forma para medi-lo, através de 5 indicadores:

Motivação: pessoas com alto potencial têm grandes ambições e querem deixar sua marca (mas isso através de metas coletivas e objetivos altruístas) e ao mesmo tempo demonstram humildade pessoal.

Curiosidade: buscam novas experiências e conhecimentos. São abertos à aprendizagem e a mudança.

Percepção: é a capacidade de reunir e dar sentido a informações que indicam novas possibilidades.

Engajamento: habilidade para usar a emoção e a lógica para comunicar uma visão convincente e conectar-se com as pessoas.

Determinação: esforço necessário para lutar por objetivos difíceis, desafios e recuperar-se da adversidade.

Claro que podemos dizer que esses 5 indicadores não deixam de ser como 5 competências: motivação, curiosidade e determinação são atitudes; percepção e engajamento são habilidades e todas essas 5 são proporcionalmente potencializadas conforme o nível de conhecimento. De qualquer forma, o conjunto dessas competências conferem ao indivíduo a capacidade de aprender, adaptar e crescer em ambientes complexos e em profunda transformação.

Não posso deixar de lembrar que: de nada adianta contratar um HiPo (abreviação de “higth potential” – profissional de alto potencial) e não lhe dar autonomia, ou ainda pior: não desafiá-lo!

Quero concluir o artigo com essa frase do Fernández-Aráoz:

“Empurrar seus altos potenciais para cima numa escada reta em direção a mais trabalhos, orçamentos e equipes vai dar continuidade ao crescimento deles, mas não vai acelerá-lo. Atribuições diversas, complexas, desafiadoras e desconfortáveis vão”.

Você já jogou Business Bingo?

Quem me conhece mais de perto sabe o quanto gosto de usar o humor para aprender, discutir, construir e transmitir conhecimento. Sabe também o quão critico costumo ser com o funcionamento do “mundo organizacional”. Claro que não devemos generalizar – existem empresas e gestores excelentes -, a questão é que quando nos deparamos aquelas disfuncionais é melhor rir do que chorar.

Se você trabalha em uma empresa dessas não deixe de ler atentamente a este artigo, que apresenta a solução para suportar as improdutivas reuniões e ainda por cima galgar altas posições hierárquicas: o business bingo!

Existem duas versões do jogo, vejamos:

1 – Cada participante escolhe uma cartela que contem palavras-chave – frequentemente utilizadas no mundo corporativo:

businessbingo3

A medida em que as palavras vão sendo ditas durante a reunião, o participante vai marcando em sua cartela e o primeiro que completá-la ganha: Bingo!

2 – Imprima a tabela abaixo e leve para reunião. Veja como você pode montar lindas frases de impacto combinando qualquer uma das linhas: leia da esquerda para direita (coluna A para coluna D) e alterne aleatoriamente as linhas. Perceba como soam bonitas as frases. Com toda certeza você fará grande sucesso na reunião.

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É impressionante a quantidade de empresas e de profissionais que praticam esses eloquentes discursos que, quanto tentamos traduzi-los, logo percebemos que pouco ou nada nos dizem.

Como já disse antes: são muitos relatórios, gráficos, planilhas, PowerPoints, jargões – mas o que importa mesmo é o que fazemos com essas informações: quais ações, quais medidas tomamos: muitas vezes o menos vale mais!

Conversas sobre carreira e desenvolvimento

Nesta semana assessorei um profissional na sua candidatura à um recrutamento interno – uma nova posição gerencial que abriu em sua companhia. Foi um trabalho bem interessante: estava diante de um bom profissional, montamos uma boa estratégia de apresentação e ainda me inspirou a escrever este artigo.

O fato é que achei interessante reforçar a importância das conversas sobre carreira, principalmente com aqueles que possuem maior poder de influência sobre ela, por exemplo: chefe, cônjuge, pais, professores, empreendedores e especialistas em carreira.

#1Dica: mapeie as pessoas mais influentes em sua rede.

Cada uma dessas pessoas desempenham um papel diferente em nossas vidas, portanto, a conversa deve ser distinta uma das outras, isso porquê: o 1) grau de intimidade, liberdade, dependência, concorrência; 2) interesses, divergências e congruências com seus objetivos – variam de acordo com cada papel.

Todas as pessoas são importantes, cada qual em um aspecto: um pai quererá apenas o seu melhor, mas baseará a conversa segundo suas experiências; o cônjuge poderá se preocupar com a segurança e estabilidade da família; o chefe carregará consigo seus interesses e os da organização, porém é quem fornece maior influência.

#2Dica: prepare-se para cada conversa.

Portanto, reflita sobre os interesses e poder de influência de cada conselheiro e defina seu objetivo para a conversa sobre carreira.

A primeira coisa que pergunto quando um profissional almeja outro cargo dentro da sua organização é: Seu chefe está sabendo? Primeiro: se ele estiver apoiando, suas chances serão absurdamente maiores: não há nada melhor do que o endosso do chefe imediato; segundo: é sinal de que vocês têm uma boa relação e que conversam sobre carreira.

#3Dica: se você é gestor, provoque conversas sobre carreira com sua equipe.

É obrigação do chefe manter conversas sobre carreira com seus subordinados. As empresas buscam muito o engajamento – querem profissionais profundamente envolvidos, comprometidos, felizes e produtivos – enquanto os meus objetivos de carreira e de vida forem congruentes com os objetivos da organização em que trabalho, seguirei engajado, portanto, é obrigação do gestor procurar atender (o máximo possível – afinal não é fácil!) a este alinhamento.

#3bDica: se você tem um gestor, provoque conversas sobre carreira com seus superiores.

O contrário também é verdadeiro, ou seja, todo profissional deve procurar se informar sobre o seu desempenho e desenvolvimento, consultando sua chefia ou mesmos outros membros da diretoria, e sobre suas possibilidades e caminhos para sua ascensão.

Peço permissão para terminar este artigo “puxando a sardinha para o meu lado”, aproveitando para reforçar que, aconselhar-se com um especialista em carreira traz basicamente duas grandes vantagens: 1) Isenção total de interesses – o único interesse de um consultor de carreira é o sucesso do seu cliente, afinal, o seu sucesso é o meu sucesso; 2) Vasta experiência – um consultor de carreira carrega consigo não só suas próprias experiências, como também a experiência acumulada de seus clientes: é isso que eu mais amo na minha profissão: a possibilidade de aprender com a grande variedade de experiências dos grandes profissionais que atendo. Portanto:

#4Dica: consulte um especialista em carreira.

Sua empresa saiu no Porta dos Fundos? Episódio 7 (Final) – Inteligência Emocional

Enfim chegamos ao nosso último artigo desta série. Quem não leu (e assistiu) os outros pode acessá-los através dos links no final deste artigo.

Guardei para o último um tema que considero de extrema importância: Inteligência Emocional!

Durante muitos anos as emoções foram deixadas do lado de fora das organizações, enquanto a lógica e a razão eram muito valorizadas. Claro que lógica e razão são modelos mentais fundamentais para o mundo dos negócios: onde somente os mais fortes sobrevivem; mas o que acontece é que as empresas perceberam que é a emoção que move as pessoas.

A criação de valor para as organizações está cada vez mais relacionada ao conhecimento, a criação (inovação) e ao atendimento (prestação de serviços), deste modo, um ser-humano pensante e virtuoso passou a ser condição chave para mais valia.

O profissional hoje tem de saber lidar com: frustrações, jogo político (disputa de poder), idiossincrasias, alta competitividade e até mesmo com o sucesso (evitando os perigos da ambição desmedida, da arrogância e da prepotência). Ufa! Muita coisa, não?

Mas vamos aos vídeos:

O Porta do Fundos fez um vídeo ironizando o “sistema” de atendimento do Spoleto. Neste vídeo podemos ver um atendente completamente impaciente, mais especificamente intolerante.

Bem, esse vídeo não pegou muito bem para o Spoleto, no entanto, eles conseguiram dar a volta por cima. Não sei exatamente de quem partiu a iniciativa e nem as razões que os motivaram a fazer um segundo vídeo, que funcionou como uma retratação, revertendo assim a sua imagem.

Mas o mais importante acontece em relação ao nosso tema: Inteligência Emocional. O vídeo mostra claramente a necessidade e a dificuldade de controlarmos nossos impulsos.

Inteligência emocional, segundo Daniel Goleman é a gestão dos relacionamentos para causar impacto positivo nas pessoas. E para se gerir os relacionamentos são necessários: autoconsciência (ou autoconhecimento), autogestão (ou autocontrole) e consciência social (empatia) –  coisas que claramente a personagem não possuía!

Com este artigo me despeço dessa série – a menos que identifique outros novos vídeos com algum fundo de aprendizado profissional/organizacional.

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Pode ser arriscado, mas a recompensa é grande!

Na semana passada postamos no nosso Instagram (ricardo_xavier_rh) a mensagem que se encontra na imagem do tema deste artigo e uma grande amiga perguntou se tratava-se de um artigo ou se era apenas uma mensagem. Fiquei curioso e a questionei sobre sua expectativa em relação ao desenvolvimento do tema e decidi desenvolver algo a respeito.

“Quanto maior o risco, maior a recompensa” parece ser mais uma das leis da natureza! Digo da natureza, pois ela se aplica desde as coisas mais simples, como a escalada de uma montanha; passando pela adrenalina dos esportes radicais; e chegando aos investimentos do mercado financeiro! Como pode? A regra parece se aplicar a tudo! Podemos então concluir que: é humano!

Mas o que acontece conosco? O faz com que nos submetamos a essa lei?

Quando pensamos em termos de investimentos: mercado financeiro ou empreendimentos fica mais fácil entender, afinal, o risco afasta as pessoas, gerando assim menor concorrência, de modo que, caso o investimento (ou ideia) der certo, você colher-se-á os frutos sozinho. No mercado financeiro é mais ou menos assim: é você apostando contra todos – se perder, terá de pagar todo mundo; mas se ganhar, receberá de todos!

Mas, e quando pensamos numa simples escala nas montanhas? Quando subimos ao cume de uma montanha estamos em contato não só com o risco (a depender da escalada o risco pode ser bem pequeno), como também com o esforço: o que pode potencializar a recompensa: chegar ao cume e relaxar apreciando a bela vista. Quanto maior for o risco e o esforço necessário para alcançar o topo, mais prazeroso será esse relaxamento e a apreciação da vista.

Enfim, damos valor aquilo que é raro! se é arriscado e/ou trabalhoso, poucos o farão!

No mercado de trabalho vemos algumas recompensas (como bônus, premiações e promoções) para aqueles que se dedicam, mas é bem mais difícil vermos recompensas para aqueles que se arriscam. Se um vendedor, por exemplo, adota uma estratégia arriscada em uma negociação com um cliente e a estratégia dá certo, sua percentagem de comissionamento será a mesma (claro que ele poderá ganhar mais por ter vendido por um preço maior, mas aqui fica claro a desproporcionalidade na equação risco x recompensa). Se um gerente assume o risco de um crédito de um cliente e ao final da operação, consegue receber tudo que fora compromissado, ele nada ganhará a mais por isso, em compensação, se o cliente não honrar com os compromissos, há uma grande chance desse gerente pagar o preço com seu emprego. Muitas vezes um atendente que se arrisca, ao fugir do protocolo de atendimento, para resolver uma queixa do cliente, e obtém êxito não recebe nem mesmo um parabéns por parte da chefia.

Os profissionais com perfil mais arrojado, mais “agressivos”, têm de ter paciência para passar pelas primeiras fases da carreira – cargos que permitem pouca participação da estratégia -, pois eles só poderão arriscar e obter recompensas proporcionais quando estiverem participando da estratégia ou quando a frente dos negócios. Do contrário, empreenda!

Portanto, só se arrisque, só se esforce, se acreditar que a recompensa será válida – lembrando que recompensa não é só dinheiro – também pode ser: reconhecimento (status), aceitação (pertencimento) e até mesmo: adrenalina!

Só acredito vendo

Acredito que todos conheçam a história de São Tomé que precisou ver Cristo para assim acreditar em sua ressurreição. A história é tão conhecida que São Tomé virou adjetivo (ou sinônimo) de descrente ou cético – o apelido é dado a qualquer pessoa que duvide e questione alguma coisa.

Acontece que, em tempos de internet e redes sociais, “ser São Tomé” nunca foi tão importante! Eu mesmo, de uns tempos pra cá, só acredito vendo! Tomei essa atitude depois de ver tanta bobagem, mentiras e maldades publicadas. Não podemos mais confiar em nada e ninguém – qualquer um pode sair por aí publicando inverdades sem medo de ser punido por isso.

Podem falar o que quiser sobre algum político ou alguma celebridade, pois eu só acreditarei se os vir falando ou ler um texto devidamente assinado. É complicado, eu sei! Tem gente que usa até editores de foto para alterar textos postados em redes sociais. Já vi até manchete de capa de jornal alterada – assim fica difícil! Já não bastava ter de escrutinar o conteúdo dos artigos e das mensagens, agora temos ainda que buscar as fontes e a veracidade de todas as informações.

Mais uma vez digo: a culpa não é da internet ou das redes sociais. A culpa é do ser-humano, a tecnologia só possibilitou a ampliação daquilo que já fazíamos no dia-a-dia (uns mais, uns menos, mas fazíamos), dando maior visibilidade para o esse fenômeno, qual seja: a capacidade de mentir, difamar, persuadir.

Tenho me policiado para não compartilhar bobagens e mentiras – quem compartilha também é responsável pelos possíveis efeitos negativos. Confesso que as vezes vejo alguns posts exagerados, de meia-verdade alguns até maldosos: fico morrendo de vontade de compartilhar – como que se gostasse que aquilo fosse verdade -, mas sacio a minha compulsão utilizando apenas um like.

Peço licença para a comparação com esse pequeno trecho da história de São Tomé, um tipo de licença poética, entende? Mas aproveito para registar uma importante distinção: quanto tratamos de espiritualidade, levamos em conta algo chamado “fé”, portanto, duvidar passa a ser algo grave. Mas quando tratamos de nós humanos, a lógica se inverte: mesmo sabendo que todos são inocentes até que se prove o contrário.

 

 

Fofoca: veneno que circula nas organizações

A fofoca é um veneno que costuma circular nas organizações. Na verdade, onde há gente, há fofoca. Mas por que será que gostamos tanto de falar dos outros? Falamos dos outros por diversão, por maldade, distração, alívio e até mesmo promoção.

Falar dos outros por diversão pode acontecer de duas formas: a) chacota, gozação; b) simples narração de uma alguma acontecimento engraçado na vida da pessoa. Quando se trata de gozação as consequências não positivas, podendo acabar em bulling ou grande humilhação, mas quando se trata de narrativas divertidas, as consequências são positivas e o humor dos envolvidos fica elevado – desde que os personagens concordem com a divulgação do acontecido.

A diferença entre falar por diversão e falar por distração reside na natureza do que é comentado. No caso da distração os assuntos são mais simples, com quase nenhuma carga emocional e completamente inofensivos. Tratam-se de amenidades e pequenas curiosidades acontecidas com outrem.

A fofoca para alívio é para mim a mais interessante. É impressionante como falar da desgraça do outro nos ajuda a lidar com as nossas próprias desgraças. As vezes nos sentimos desolados, tristes e até meio deprimido, mas ao tomarmos conhecimento de alguém em pior condição, imediatamente “levantamos, sacudimos a poeira e damos a volta por cima”.

Mas a pior de todas as formas de fofoca é aquela que quer prejudicar, magoar, ferir ou denegrir o outro. Ah, quanta maldade reside em nós, seres humanos! Por que diabos temos o habito de falar mal dos outros? Bem, eu tenho algumas teorias: 1) se eu não consigo me “elevar”, posso baixar o outro de modo a parecer (ou me sentir) mais elevado; 2) posso expurgar um pouco da minha raiva, culpa ou incompetência colocando o outro em situação pior que a minha (mais ou menos como explicado na fofoca para “alívio”); 3) podemos também denegrir o outro para nos defender ou proteger. Se vejo meus colegas de trabalho como uma ameaça ao meu emprego ou à minha carreira, também posso recorrer a fofoca maldosa para “eliminar” meu concorrente.

De qualquer modo, quero parafrasear mais uma vez Eleanor Roosevelt:

“Grandes mentes discutem ideias; mentes medianas discutem eventos; mentes pequenas discutem pessoas”

Então vamos procurar manter a proza no nível das ideias ou mesmo dos eventos.

Por fim, tem a fofoca que visa promover determinado grupo ou pessoa. É uma fofoca do bem. É quando falamos bem de uma pessoa pelo simples fato de admirá-la, respeitá-la ou mesmo para ajudá-la a conquistar algo. Essa é uma fofoca saudável e que deve ser feita com a maior frequência possível.

Dizem que certa vez um discípulo chegou à Sócrates e disse:

– Mestre tenho algo a falar sobre “Fulano”, mas não sei se deveria dizer.

Sócrates então respondeu:

– Você já fez o crivo das 3 perguntas? Antes de dizer qualquer coisa você deve submetê-la ao crivo das 3 perguntas:

1º. O que você tem a dizer é verdade?

2º O que você tem a dizer tem bondade?

3º O que você tem a dizer trará algum benefício?

Se a resposta for não para qualquer uma das perguntas: cale-se!

Costumo apresentar o crivo das 3 perguntas em meus treinamentos e sempre comentava que: se levarmos a sério o crivo das 3 perguntas de Sócrates, não falaríamos mais quase nada. Mas, como sempre digo que aprendo mais com meus “discípulos” do que eles comigo, uma vez um participante me disse: “Não, muito pelo contrário: o desafio agora é manter a ‘taxa de conversação’, procurando por coisas boas para se falar!”.

A fofoca consuma ser comparada ao veneno. E qual o meio de circulação desse veneno? A boca, de pessoa para pessoa. Portando, qualquer um detém o poder de bloqueá-la: basta calar-se e não passá-la adiante!

 

 

Sua empresa saiu no Porta dos Fundos? Episódio 6 – feedback

O feedback é tema recorrente no mundo organizacional. As empresas perceberam que: a) as pessoas estão carentes de feedback; b) os profissionais precisam de feedback para saberem como estão desempenhando; c) a maioria dos gestores tem dificuldade em conduzir esse tipo de reunião.

A verdade é que o contexto organizacional dificulta bastante este tipo de conversa – muita coisa está em jogo: a reputação e aceitação do gestor e do subordinado, expectativas de desenvolvimento de carreira, expectativas salariais, comparações com colegas, enfim, o palco em que atuamos nas empresas não é favorável a este tipo de reunião. Já até a apelidaram de fodeback (desculpem pelo termo chulo, mas realmente considerei necessário para a proposta deste artigo).

Ao invés de discutirem a problemática existente nesse contexto, como: alta competitividade entre as empresas, rupturas tecnológicas e complexidade do ser humano (medos, ambições, motivações), preferem criticar esta ferramenta, claro que, propondo uma nova: o feedforward. Não caiam nessa: feedback e feedfoward são para mim a mesma coisa. O problema não é a ferramenta (feedback), mas sim seu uso. O problema está no “operador” e nas “condições de trabalho” (insumos, manutenção, recursos).

O assunto está bom, mas já é hora de diversão. Quem quiser saber mais sobre feedback recomendo a leitura do artigo: A arte de dar feedback.

  1. Bafo

Quem tem coragem de dar esse tipo de feedback? Esse é um dos assuntos mais delicados nos relacionamentos humanos: bafo, CC (mal cheiro nas axilas), vestimenta inadequada. As vezes evitar de magoar a pessoa pode ser na verdade o pior para ela. Mas conduzir este tipo de conversa não é nada fácil mesmo. É preciso certa intimidade, ou mesmo ir direto no assunto: é melhor um terror imediato do que um terrorismo sem fim: fale logo, vá direto ao ponto! Só é preciso respeito, nada mais – muito melhor do que ficar comentando sobre a pessoa pelos corredores, não é mesmo?

  1. Mundo dos negócios

Esse vídeo eu acho genial! Sempre uso em meus treinamentos, pois é muito comum o gestor falar de uma forma que o funcionário realmente não consegue entender, seja porque não tem coragem, seja porque não consegue mesmo se expressar.

Dá para notar o esforço do funcionário em tentar compreender o que o chefe fala. Chega até a fazer perguntas, mas tudo em vão! Mas uma coisa ele compreende com clareza: “o Ricardo do marketing falou …”. Isso ele seu instinto de proteção consegue pegar com facilidade.

Depois de muito tentar, ele desiste e parte para uma estratégia muito mais inteligente: passa a apoiar o que o chefe diz e pede sugestões. A tática funciona e em pouco tempo ele reverte a situação, finalizando a conversa com uma ligação para o Ricardo do Marketing. Simplesmente genial e totalmente condizente com o que vejo acontecer nas empresas – não em todas, é claro. Mas, e na sua, ou com você, já aconteceu?

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Estamos chegando ao final dessa série. No próximo mês tratarei o último assunto: Inteligência emocional. E para quem não leu os anteriores, abaixo encontram-se os links: