O discurso “das Elites”

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É um absurdo o discurso que o ex-presidente da nossa corrompida república vem fazendo, insuflando uma luta de classes. Não tenho dúvidas de que se trata de uma estratégia ardilosa de jogar uma cortina de fumaça sobre a discussão da corrupção do governo do seu partido.

Parafraseando nosso querido Gonzaguinha, ele “precisa é ter consciência do que representa neste exato momento”. Ou seja, é uma irresponsabilidade da parte dele semear o ódio entre “as classes” – que não esqueçamos, são compostas de seres humanos.

Ele parece ter parado no tempo ao continuar vendo o mundo na visão “comunista” de luta de classes. O mundo é outro! A desigualdade social existe, reconheço, e ainda acrescento: só aumentou nos últimos anos! O modelo capitalista precisa ser revisto. Mas dai a dizer que existe uma classe ou uma categoria subversiva – reacionária – querendo impedir a melhoria da qualidade de vida dos miseráveis, ou pior, querendo impedir a ascensão dos mais pobres é um verdadeiro absurdo. Os mais ricos só ganharam com a ascensão dos mais pobres. Por que o mundo todo quis investir no Brasil? Por aqui qualquer incremento na renda, principalmente das classes D e E, representava (e ainda representa) grandes volumes de vendas e receitas para as empresas. Não tenho a menor dúvida de que ele sabe muito bem disso!!!

Por fim, quem é essa tal “elite”? Sou eu? Pobre de mim! Não posso reclamar da vida, mas não tenho como me ver como elite! O conceito de elite pressupõe um valor ou uma qualidade e para valorar ou qualificar algo é necessário haver algum tipo de comparação ou referencial. Desse modo, serei sempre elite para alguém assim como sempre haverá uma elite para mim – a classe D é elite para a classe E; a classe C é elite para a classe D. Portanto mais um ato funesto de uma pessoa que já representou os menos favorecidos um dia, mas que fracassou quando teve a oportunidade de fazer alguma coisa.

João Xavier

Inflação na Bahia chega a 20%

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Estive na semana passada em Salvador para a tradicional lavagem do Senhor do Bonfim. Essa foi a terceira edição seguida da qual eu participo. Alguns vão para lá em busca de festa, de alegria, de cerveja – o que chamam de “a parte profana da festa”. Já eu, vou atrás da fé. Vou para refletir, ao longo dos 8,5 quilômetros que separam a Basílica da Nossa Senhora da Conceição da Praia  do Santuário de Nosso Senhor do Bonfim e que compõem a peregrinação. Caminho meditando sobre meu último ano, minha ações, no que fui bom, no que posso melhorar. Agradeço pelas coisas boas que obtive e peço perdão pelos meus pecados.

A razão que me fez devoto e adepto deste ritual é bem simples. Fiquei muito surpreso logo na primeira vez que participei, pois, no adro da Basílica, onde acontece uma prece que dá início a caminhada, várias religiões dividiam, harmonicamente, o palco. Tivemos a benção do padre, da monja, do pastor, do espírita e do babalorixá. Fiquei maravilhado com isso.

Não importa se é Cristo, Buda, Olorum. Não importa o caminho, mas sim o destino. Não importa nem mesmo se és ateu. Lá não importam as diferenças, mas sim a unidade. E qual a unidade que vejo? Muito simples: amor ao próximo, paz, e a busca por um mundo melhor.

Estar lá, diante deste adro, poucos dias após o ataque ao jornal francês foi uma grande honra. Precisamos mostrar ao mundo todo como se pratica religião na Bahia! Se os radicais islâmicos participassem dessa festa, talvez pudessem ser um pouco mais tolerante. Se os cartunistas ateus se ajoelhassem junto às baianas, derramando água de cheiro nas escadas, talvez respeitassem mais a religião do próximo.

Mas a essa altura a pergunta que fica é: porque a inflação na Bahia atingiu 20%. Pois bem, quando da minha primeira participação na festa, estranhei cartazes que diziam: periguete 3 por R$ 5,00. Na verdade fiquei até assustado, dado o entendimento que eu, paulistano, tenho da palavra periguete. Mas depois vim a saber que periguete na Bahia é, também, aquela latinha de cerveja pequena, de 269 ml, que nesse ano era vendida 3 por R$ 6,00 – um aumento de 20% em relação ao ano anterior.

João Xavier