Mas é claro que existe “cura gay”!

Mas é claro que existe “cura gay”! E para provar isso vou lhes contar um caso real. Os nomes foram trocados para proteger a identidade dos envolvidos, afinal esse fato se deu em 2016, numa cidade do interior do estado de São Paulo.

José Carlos procurou ajuda do psicólogo devido a grande pressão que sua mãe, carola que era, lhe impunha. Alguns membros da família já sabiam de suas preferências, notava-se até mesmo alguns trejeitos. Mas o que todos temiam mesmo era seu pai, um senhor sério, calado, sisudo. Sempre se orgulhou do primogênito, herdeiro da família, herdeiro da virtude! E foi quando ele soube que José Carlos se viu obrigado a procurar pela cura!

Sua mãe ouvira de um pastor algo a respeito da cura para os “desvios” sexuais e seu pai tinha certeza de que isso tratava-se de problema de cabeça, e assim exigiram que José Carlos procurasse por ajuda profissional.

A sorte de José foi ter encontrado Nelson, um proeminente psicólogo apaixonado pela sexualidade humana. Nelson estava em meio a sua tese de mestrado, que tratava justamente dessa área de estudo – não que José tenha servido de “estudo de caso”, mas sim o quanto isso ajudou a curar-se.

Foram meses de terapia. Muitas conversas, e mais conversas. Por vezes essas conversas requeriam a presença da mãe, por vezes do pai, várias vezes de pai e mãe e assim os avanços prosseguiam de maneira firme e constante, mês após mês, sessão após sessão. Até que, 6 meses depois: A cura!

Os pais de José descobriram o quanto ele era importante para eles, o quanto eles se amavam. E indignaram-se sobre como puderam ter colocado esse amor em risco apenas por uma bobagem: preferência sexual! Eles agradeceram a Deus, e ao Nelson, por terem mostrado a eles que o “foco de desejo sexual de indivíduo” em nada importa para a predição de felicidade, estima, sucesso, desempenho, competências ou de “herança da virtude”!

Eles se abriram para uma nobre forma de amor, aquela em que a minha plenitude só acontece quando da plenitude daqueles que amo. Uma forma que suprime qualquer coisa que possa afetar o prazer de conviver, como família. Quem sabe uma família moderna, com: “homos e héteros”; com filhos, enteados e adotados; cunhados e ex-cunhados – família aquela que entende que “apaixona-se mesmo é por gente”, não por gênero – um amor tão humano, mas tão humano, que chega a ser assexuado.

Enfim, José, sua Mãe e seu Pai foram curados!

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Grande celeuma se deu essa semana a respeito desse assunto. Faço um alerta: cuidado com o que compartilha! Antes de compartilhar informações socialmente relevantes, certifique-se de que estudou todos os lados. Beba de boas fontes! Pois muita bobagem circulou nas redes.

Minha interpretação a respeito desse estardalhaço todo é que a liminar do Juiz Waldemar Cláudio de Carvalho não propõe cura gay alguma, outrossim salvaguarda o direito dos psicólogos de desenvolverem estudos, atendimentos ou pesquisas científicas a cerca sexualidade humana.

O conselho regional de psicologia (CRP) alega algo como: se não é uma patologia, não precisa ser estudado, pesquisado ou tratado – logo, afirmar o contrário seria assumir que é uma doença. O título da nota oficial do CRP emitida é: “Amor não é doença, é a cura” – concordo plenamente, está faltando apenas acrescentar que “sexualidade não é amor”. Qual a maior forma de amor que conhecemos? Para mim é o materno – realmente acho isso não tem nada a ver com sexo!

Definitivamente preferência sexual não é doença! mas daí a negar estudos científicos a respeito do assunto é retrocesso. Quanto podemos aprender sobre o convívio social ou os conflitos psicológicos em uma sociedade diversificada? E quanto ao excelente papel desempenhado pelo nosso amigo Nelson? Somos todos iguais, porém tempo diferentes!

Temos que considerar também outras coisas envolvidas como, por exemplo: violência, preconceito, desrespeito de direitos, falta de direitos, ética no exercício da psicologia… Isso tudo é louvável! E essa é a parte boa da celeuma!

Eu fico com o Magistrado, pois acho que ele elevou o pensamento um nível acima do CRP, considerando o assunto como sendo da “sexualidade humana” e não de gêneros e seus apetites sexuais!

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Mas, minha opinião pouco importa, convido você a criar a própria:

E para saciar sua vontade dá uma olhadinha nas manchetes que circularam. Veja o nível de sensacionalismo e descompromisso com a verdade, afinal, nenhum Juiz autorizou “cura gay”alguma!

Juiz que autorizou “cura gay” diz que decisão teve interpretação “equivocada”

‘Cura gay’: Conselho de Psicologia recorre da decisão que liberou tratamento da homossexualidade

 

Os rituais e as organizações

Era o dia mais importante da vida dela. Por isso tamanha produção! Uma equipe a preparava: maquiador, cabeleireiro, manicure – todos operando simultaneamente naquela antessala, outrora grande, mas agora apertada, pois além dela e sua equipe, outras também se aprontavam.

O clima alegre, feliz, leve – muita, mais muita alegria! Essas que a ela se juntavam, eram nada menos do que as pessoas mais especiais da sua vida, ali havia: mãe, primas, amigas – mas por hoje, cada qual com seu papel: apenas mãe e madrinhas!

O salão lotado – mais parentes e amigos, tinha até desconhecidos. Todos se avolumavam e disputavam assentos à frente, alguns respeitavam o lado, o lado do seu ente. Mas havia uma hierarquia presente – parentes mais velhos à frente!

A curta distância entre o “camarim” e o altar agora era distante. Um caminho mágico, passo a passo – como quem caminha nas nuvens, vibrante! Os convidados maravilhados: pasmos, felizes, radiantes – quando em choro, um choro emocionante. Uma grande festa começou, após o “sim” dos amantes.

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Os rituais estão muito mais presentes em nossas vidas do que conseguimos imaginar. Na verdade, estão tão incorporados à cultura que mal podemos percebê-los, mas podemos intensamente vive-los. São as formaturas, os casamentos, os chás-de-bebes, os batizados, os aniversários, as missas, os carnavais, os almoços de domingo …

Os rituais são para mim fascinante. Pude conhecer um pouco mais sobre elas através de Joseph Campbell, mais especificamente em: “As máscaras de Deus: mitologia primitiva – recomendo a leitura para aqueles que se interessam pelo assunto.

Os rituais assumem diversas funções de grande importância para o funcionamento da sociedade, dentre elas, nortear o comportamento humano. Não quero parecer simplista (ou utilitarista) e “pintar” aqui os rituais como algo premeditado, intencional, manipulativo – ou mesmo como algo: tolo, ingênuo, “submissivo”. Por isso, peço permissão dos amantes (ou estudiosos) da mitologia para discorrer sobre o caráter “orientador de ações, atitudes, comportamento, que os ritos assumem em nossas vidas – mais especificamente em nosso ambiente profissional.

Vamos então para outra história?

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Era o dia mais importante da vida dela. Por isso tamanha produção! Uma equipe a apoiava: planilhas, gráficos, textos. Todos envolvidos há dias com aquela apresentação.

O clima alegre, apesar da pressão. Muita exigência, mas muita satisfação. Sentia-se segura, apesar da apreensão. Sua equipe era especial, por ela cuidadosamente escolhida e desenvolvida – mas cada qual com o seu papel: supervisores, assistentes, analistas.

A sala estava lotada – toda diretoria. Ninguém disputava assento, seu lugar já se conhecia. Projetor, computador, café e água quente, afinal um deles gostava de chá e estava presente. Mas havia uma hierarquia, atente: na cabeceira, o presidente!

A curta distância entre sua sala e auditório agora era distante. Um caminho tenso – seu futuro logo ali, à frente! Os ouvintes atentos, minuciosos, pensantes. A decisão definiria o futuro da companhia e seu futuro profissional, consequente. Foi tomada por uma grande vibração, comoção muito excitante – quando todos assentiram, dando voz ao presidente: “Seu trabalho superou expectativas iniciantes, seu projeto segue em frente”!

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As reuniões são os rituais mais comuns, mais frequentes, nas organizações. Seus elementos, sua formação, condução, conteúdo – isso tudo gera indícios sobre o que é mais valorizado, aceito, elogiado, exigido, respeitado … enfim, orienta o comportamento das pessoas.

Mas existem muitos outros rituais, dos mais simples aos mais sofisticados: do café com o presidente à convenção anual. Comemorações, preleções de vendas, orações, políticas de integração, recepção (tratamento) de visitantes, festas de final de ano …

Esses são apenas alguns exemplos que primeiramente vêm à mente, mas meu objetivo com esse artigo é o convite para a reflexão a respeito do assunto. Quais rituais sua organização vem praticando? O que poderia ser melhorado? Quais poderiam ser criados? Hoje muito se fala sobre engajamento e os rituais são fontes poderosas de pertencimento.

Pão e circo: é carnaval!

Proporcionar “Pão e Circo” é receita antiga para aqueles que querem se manter no poder! “Panem et circenses”, no original em Latim – “teve origem na obra – “Sátira” do humorista e poeta romano Juvenal (vivo por volta do ano 100 d.C.) e no seu contexto original, criticava a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer interesse em assuntos políticos, e só se preocupava com o alimento e o divertimento” (Emerson Santiago).

Meu Deus! Ele disse 100 d.C.? Romanos? Sei não viu, isso está parecendo muito atual e adequado ao nosso país. Não?

Acontece que minha área não é a política e este não é o forvm mais adequado para discuti-la: quero mesmo é ficar com o Panem. Como puderam deixar faltar pão?

Claro que a questão da geração de emprego está diretamente ligada à política. Os gestores dessa grande empresa chamada Brasil têm de cuidar para melhor posicioná-la frente aos desafios econômicos mundiais. Eles têm a responsabilidade de aplicar o dinheiro das taxas e impostos em infraestrutura e tecnologias competitivas, em leis que favoreçam o florescimento das empresas e o giro da economia, e devem cuidar para que os direitos e deveres sejam respeitados.

Mas o principal objetivo deste artigo é chamar a atenção para a nossa responsabilidade nisso tudo. O termo “pão e circo” é uma crítica ao povo e não aos políticos! Era o povo que não queria tratar de política e que só pensava em diversão – os políticos só fizeram atender aos anseios da população. O povo pediu por arenas (up dating: estádios!), festas, teatros!

Mas agora vivemos um momento muito interessante: o mundo parece estar bipartido, entre esquerda e direita. Alguns veem com desânimo ou até mesmo pessimismo, mas eu vejo com otimismo: primeiro porquê parece que mais pessoas estão se preocupando e se posicionando em relação a assuntos políticos/sociais – me parece que o povo agora pede por hospitais, escolas, centros de pesquisa …; e segundo por que tudo indica que um novo modelo está sendo gestado (se ainda não está precisamos então fecunda-lo).

O problema é que: fecundação, gestão e, principalmente o parto, exige muito esforço, dor, desconforto. É aí que entra o Circo!

A festa do carnaval, como conhecemos hoje, é resultado de uma evolução de mais de 3 mil anos, e sua principal razão de ser reside na catarse, ou seja, no poder de expurgar tudo aquilo que está reprimido no nosso consciente e inconsciente, para então renovar forças e seguir “dentro da linha” – respeitando os direitos e deveres que a sociedade nos exige.

Por isso, brincarei bastante o carnaval para depois arregaçar as mangas e dar o meu melhor – no trabalho e na política!

Fontes consultadas:

Emerson Santiago: http://www.infoescola.com/historia/politica-do-pao-e-circo/ – Acessado em fev/2017.

Tales Pinto: http://brasilescola.uol.com.br/carnaval/historia-do-carnaval.htm – Acessado em fev/2017.

Só acredito vendo

Acredito que todos conheçam a história de São Tomé que precisou ver Cristo para assim acreditar em sua ressurreição. A história é tão conhecida que São Tomé virou adjetivo (ou sinônimo) de descrente ou cético – o apelido é dado a qualquer pessoa que duvide e questione alguma coisa.

Acontece que, em tempos de internet e redes sociais, “ser São Tomé” nunca foi tão importante! Eu mesmo, de uns tempos pra cá, só acredito vendo! Tomei essa atitude depois de ver tanta bobagem, mentiras e maldades publicadas. Não podemos mais confiar em nada e ninguém – qualquer um pode sair por aí publicando inverdades sem medo de ser punido por isso.

Podem falar o que quiser sobre algum político ou alguma celebridade, pois eu só acreditarei se os vir falando ou ler um texto devidamente assinado. É complicado, eu sei! Tem gente que usa até editores de foto para alterar textos postados em redes sociais. Já vi até manchete de capa de jornal alterada – assim fica difícil! Já não bastava ter de escrutinar o conteúdo dos artigos e das mensagens, agora temos ainda que buscar as fontes e a veracidade de todas as informações.

Mais uma vez digo: a culpa não é da internet ou das redes sociais. A culpa é do ser-humano, a tecnologia só possibilitou a ampliação daquilo que já fazíamos no dia-a-dia (uns mais, uns menos, mas fazíamos), dando maior visibilidade para o esse fenômeno, qual seja: a capacidade de mentir, difamar, persuadir.

Tenho me policiado para não compartilhar bobagens e mentiras – quem compartilha também é responsável pelos possíveis efeitos negativos. Confesso que as vezes vejo alguns posts exagerados, de meia-verdade alguns até maldosos: fico morrendo de vontade de compartilhar – como que se gostasse que aquilo fosse verdade -, mas sacio a minha compulsão utilizando apenas um like.

Peço licença para a comparação com esse pequeno trecho da história de São Tomé, um tipo de licença poética, entende? Mas aproveito para registar uma importante distinção: quanto tratamos de espiritualidade, levamos em conta algo chamado “fé”, portanto, duvidar passa a ser algo grave. Mas quando tratamos de nós humanos, a lógica se inverte: mesmo sabendo que todos são inocentes até que se prove o contrário.

 

 

O todo e as partes

Ontem me queimei fazendo café. Desequilibrei a leiteira fervente e derramei grande parte do seu conteúdo por sobre a minha mão: foi uma queimadura leve, a pele avermelhou e algumas bolhas se formaram.

Aquele ponto tão pequeno (quando comparado com todo o meu corpo) atraiu a minha atenção por todo o dia.

Mas ainda bem que não afetou nenhum dedo. Os dedos são pequenos, mas cada um deles faz uma falta tremenda. Experimente machucar um deles para você ver: afeta deveras o “pegar”. Se for o polegar então?!?! Percebo assim que cada dedo tem seu papel na minha mão e um deles é até mais importante que os demais, mas somente a soma de todos eles fazem a perfeita mão.

A queimadura foi na parte superior, no dorso da mão. O dorso parece não ter função, não acaricia como a palma, não é sensível ao toque como a ponta dos dedos. Mas foi logo no primeiro aperto de mão que percebi sua participação: as pontas dos dedos do meu amigo nele se firmavam para envolver minha mão, alcançado assim firme aperto: o dorso parece assim ter sua função.

Mas ainda bem que foi só em uma das mãos. Com apenas uma mão consigo fazer muitas coisas: cada mão por si só tem sua ação, mas somente com as duas posso dar um abraço com emoção. Não subestimo os braços, são eles que promovem o aperto confortável, aquele que une os dois corpos: mas me refiro ao detalhe: quando as mãos acariciam as costas durante o caloroso abraço.

Certa vez meu pai ficou doente: caso de internação. Foi muito triste, muita comoção. Eu era pequeno, doía o coração: mas a figura da minha mãe fez a substituição. O pai é importante, e a mãe também: mas só os dois juntos podem ser além!

Assim como os dedos, cada indivíduo é importante, e diferente: cada qual é melhor e pior em algum aspecto, mas somente a soma de seus membros pode se chamar família. Podemos ampliar essa visão, partindo para outra instituição: com uma soma, por exemplo, que compõe uma Nação!

Um amigo abriu empresa: empregou 10 cidadãos; um outro uma indústria: empregou mais um montão. Cada empresa tem sua importância: paga salários e impostos, permite o consumo de seus empregados e sócios, acontece que todas juntas formam o PIB do país nosso.

Certa vez era só China, isso antes da globalização: agora é candidata a potência, tratada como grande nação. Vimos seu impacto no todo quanto cresceu apenas como parte. O sistema financeiro deixa claro essa faceta: são efeitos dominó, efeitos em cascata, para os mais poéticos tem até efeito borboleta.

É mais ou menos assim: certa vez era uma célula, que quando juntas formou um órgão, que quando juntos formaram um mamífero (acredita-se: superior), que quando juntos formaram uma sociedade que quando juntas formarão …

Pois é, a maioria ainda não enxergou a importância dessa união: já avançamos de países para blocos políticos/econômicos: conseguimos formar até uma ONU; mas parece que ainda não percebemos que o todo não é nada sem as partes, assim como as partes não são nada sem o todo; e que o todo é muito maior que a soma das partes.

O cultivo nas empresas

Falar de cultura é muito difícil, pois parece um termo bastante abstrato. É interessante como compreendemos o tema, pois vivemos a cultura no dia a dia, mas temos muita dificuldade para defini-la ou explicá-la.

A importância do tema reside no fato de que é a cultura que norteia o comportamento humano, afinal, cultura pode ser definida como o conjunto de crenças, conhecimentos, valores, costumes e padrões comportamentais que distinguem um grupo social.

Desse modo, a cultura tem o poder de dirigir meu comportamento a favor da sociedade (do grupo) e ainda por cima me fazer gostar disso (ela me controla e faz sentir-me bem ao ser controlado). Saber dos costumes e dos padrões de comportamento aceitáveis, me deixa menos ansioso, pois posso prever o que é esperado de mim. E se eu compartilhar desses costumes e concordar com os comportamentos “impostos”, me sentirei parte do grupo. Logo, a cultura tem a “função” de controlar a ansiedade e gerar pertencimento.

Além do mais a cultura nos demonstra, na prática (o que a filosofia oriental há muito já ensina), que tudo é ao mesmo tempo a parte e o todo: somos influenciados pela cultura ao mesmo tempo em que somos seus criadores. Somos a própria cultura, afinal qualquer indivíduo do grupo é capaz de refleti-la, e ao mesmo tempo somos apenas uma pequena parte do conjunto que forma essa cultura.

Por perceberem o poder que a cultura tem ao guiar o comportamento e gerar pertencimento, as organizações e a administração começaram a se preocupar e estudar o tema, e hoje muito se tem falado sobre: criar uma forte cultura, mudar uma cultura, reforçar uma cultura.

Tudo isso é muito válido e muito bem-vindo, e é preciso cuidado. Afinal, não existe cultura boa ou ruim, melhor ou pior. Tudo é muito relativo e dependente dos mais diversos fatores, afinal uma cultura organizacional está inserida em um mercado regional, que está inserido em um mercado nacional que por sua vez insere-se em um mercado global. Aspectos como tecnologia, por exemplo, interferem diretamente na maneira como nos relacionamos com os outros e na maneira como realizamos o trabalho.

Mais uma lição da filosofia oriental a cultura nos presenteia: nem tudo é cem por cento bom ou ruim, pois tudo tem seus “prós e contras”. Reforçar uma cultura ou criar uma cultura forte pode gerar grande orientação de comportamento e senso de pertencimento – trazendo grandes resultados, mas por outro lado pode criar um ambiente avesso às mudanças, o que não é nada bom em tempos de revolução tecnológica e globalização. Uma cultura forte é cheia de paradigmas. As crenças podem estar tão enraizadas que sequer são questionadas. E aqueles que tentam questionar são considerados transgressores. Lembre-se de aquele que falou de amor em tempos de escravidão, conquistas territoriais e sobrepujança, foi crucificado.

O que se fala hoje então é da criação de uma cultura de inovação. O que com certeza é uma boa estratégia e muitas empresas construíram essa cultura ao longo do tempo, principalmente as empresas com departamento e recursos de P&D (pesquisa e desenvolvimento) e aquelas de inovações em TI (tecnologia da informação). Mas mais uma vez peço atenção aos excessos e aos “contras” desse posicionamento, pois este pode gerar grande dificuldade de padronização e produção em larga escala.

Quero deixar claro que não estou julgando nenhuma das formas com as quais as organizações e a administração vêm tratando o assunto. Estamos todos aprendendo, é tudo muito novo – até pouco tempo atrás nossa preocupação era apenas com o cronômetro.

Grtner arbeitet in einem Gewchshaus mit Blumen // Gardener works in a greenhouse with flowers

Entendo e respeito os esforços despendidos, afinal a própria origem da palavra “cultura” em latim significa o “cultivo de plantas”, desse modo cuidar da cultura organizacional é como cuidar de uma horta ou um jardim – é só não deixar faltar água, adubo e sol, cuidar das moléstias e das plantas invasoras (tudo com muito amor e carinho) e com a certeza de que colhemos aquilo que plantamos.