Como desenvolver competências

Competência é o termo que melhor traduz, nos dias de hoje, a contribuição dos profissionais para com o resultado da empresa, afinal, competência é a forma como o profissional mobiliza seus recursos (conhecimento, habilidades e atitudes) para resolver os problemas e/ou gerar resultado para a organização. Por isso, as empresas vêm adotando o modelo de “Gestão por Competências” para melhor desenvolver seus recursos humanos, logo, alcançar resultados.

Minha proposta para este artigo é refletir sobre como desenvolver competências e para isso, gostaria de aprofundar um pouco mais no conceito, trazendo a decomposição que fiz baseado na definição de competência de Maria Tereza Leme Fleury (em meu artigo “Crowdsourcing: Competências” aprofundo um pouco mais o conceito – vale a leitura).
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Podemos decompor qualquer competência em 3 fatores: conhecimento, habilidades e atitudes, tornando mais fácil nossa reflexão, vejamos:

Como desenvolver o conhecimento?

O conhecimento pode ser desenvolvido com os estudos: livros, aulas, palestras. Quando o conhecimento é explícito, ou seja, explicável – fica fácil registrá-lo e transmiti-lo, mas quando o conhecimento é tácito, ou seja, implícito – fica difícil de descrevê-lo, logo, transmiti-lo. O conhecimento tácito se dá através da observação, experimentação e experienciação. Mas seja ela fácil ou difícil, explícito ou tácito, o que importa para nós no momento é que ele pode ser desenvolvido através das formas tradicionais que há milênios conhecemos: escola, pesquisa, fóruns, livros, vídeos.

Como desenvolver habilidades?

Falar em habilidade imediatamente nos remete à prática, a destreza – mas não esqueçamos: o conhecimento também se faz presente. Na verdade, é a soma do conhecimento e da prática – quanto mais conhecemos e mais praticamos, mas hábil nos tornamos – como disse o golfista Tiger Woods: passei a ter sorte quando comecei a treinar 10 horas por dia.

Para desenvolver habilidade é preciso muita prática, repetição e exposição gradativa a outros níveis de complexidade. Mais uma vez vou recorrer ao mundo dos esportes: imagine um jogador de futebol. Durante toda sua infância ele praticou (nas “peladas” e nos “babas”) e foi adquirindo cada vez mais destreza, apenas observando e sentindo os efeitos de cada movimento seu e da bola. Depois, quando jovem, entrou para um pequeno time local, onde começou a receber informações teóricas sobre: técnicas de como bater na bola, como se posicionar em campo, como funciona o corpo e os músculos, enfim, muito conhecimento teórico – agora ele pratica o esporte de outra forma, mais madura, mais consciente – é muito mais habilidoso!

Recomendo outro artigo interessante sobre como acelerar o ganho de experiência – “A pílula de experiência

Como desenvolver atitudes?

Sempre deixo o melhor para o final! Como posso fazer para criar melhores atitudes? Ou seja, atitudes mais saudáveis e produtivas?

Atitude vem do italiano Attitudine: “postura, disposição”. No Houaiss aparece como: 1. pose, posição, postura; 2. comportamento ditado por disposição interior; 3. conduta; 4. posição assumida, norma ou forma de proceder, orientação – vou adotar postura e orientação para esta reflexão.

Vamos ver o exemplo de um profissional divertido, engraçado e brincalhão – perfil bastante interessante: gostoso trabalhar com gente assim, não? deixa o clima leve, o trabalho fluido e as pessoas bem-humoradas. O problema é que para obter uma promoção à gerencia é preciso que ele mude sua atitude, é preciso que ele seja um pouco menos brincalhão, mais sério – pois a equipe pode entender como descompromisso (não só com a empresa, como também com suas responsabilidades de líder) e alguns podem até abusar da sua “boa vontade”.

O que você recomendaria para esse profissional?

O primeiro passo para uma mudança de atitude acontecer é o reconhecimento da necessidade de mudar. Nossas posturas e orientações normalmente são automáticas, pré-estabelecidas – fazemos sem nem perceber que fazemos.

Uma vez entendido a necessidade de mudar, podemos fazer uso conhecimento estudando sobre o assunto e sobre si – neste caso o profissional poderia ler mais sobre gestão de negócios e de pessoas, sobre comportamento humano e sobre si. A medida em que se amplia o conhecimento teórico sobre o assunto, é possível realizar pequenos experimentos com diferentes comportamentos, passando então a desenvolver novas habilidades – tudo isso se mistura, com efeito sinérgico e exponencial, ou seja: eu estudo, pratico e me comporto:

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Quando essa dinâmica alcançar um nível profundo de novos significados, chegaremos ao âmago da atitude: as crenças. No fundo, o que guia nossas atitudes são nossas crenças – por exemplo: se acredito que todo político é corrupto, terei uma atitude hostil sempre que os vir.

No nosso exemplo, talvez o profissional opere com a crença de que o trabalho tem que ser divertido, que trabalhar brincando é mais produtivo. Mas agora ele tem que ressignificar o trabalho, acrescentando: O trabalho tem que ser divertido, mas há situações em que o estresse é inevitável e até mesmo produtivo – pois, em precisas doses, nos desafia a crescer.

Desenvolver competências não é tarefa fácil, mas pode ser divertido. Eu tenho uma atitude positiva diante do assunto, pois me baseio na crença de que o ser humano está em construção e que eu não preciso ser o melhor profissional, só preciso ser hoje melhor do que fui ontem!

3 Erros do currículo

O currículo é o ponto de partida para qualquer processo seletivo. É o veículo de divulgação dos atributos de um profissional. Ele funciona como um material de propaganda – como acontece com os folhetos e páginas de divulgação de um produto ou serviço na internet.

O problema é que especificar e apresentar qualidades humanas, profissionais, é uma tarefa bastante complexa, por isso as pessoas seguem um determinado padrão, de modo a abranger todas as áreas a serem especificadas no documento e para facilitar a leitura do selecionador.

Normalmente o currículo é estruturado da seguinte maneira:

Estrutura CV

Seguir esse padrão é recomendável, pois os selecionadores conseguem visualizar com maior assertividade (e rapidez) as informações que procuraram. Mas o primeiro grande erro costuma acontecer logo no início, no tópico “Objetivo”:

1- Falta de clareza no objetivo

O primeiro erro que observamos com bastante frequência está no tópico “objetivos”. Esse campo é para ser preenchido com o nome do cargo que você quer ocupar (ou que ocupa). Caso suas experiências (e competências) sejam mais abrangentes, então você pode optar por colocar a sua área de atuação.

Recebemos muitos currículos com objetivos lindos, como: “me desenvolver nesta conceituada empresa”, “fazer parte de grande equipe”,

A primeira coisa que o recrutador precisa saber é sua área de atuação ou seu cargo.

No Linkedin o “campo objetivo” é aquele que fica bem embaixo do nome, onde o erro que temos visto é o de colocar “disponível para o mercado” ou “em busca de novos desafios”. No artigo “O que mais importa no currículo” abordo com maior profundidade sobre esse erro.

2- Erros de ortográficos

Sobre esse tópico não há muito o que falar, não é mesmo? Mas é importante ressaltar que os erros ortográficos e gramaticais são encontrados com uma certa frequência. O antídoto? Revisão, revisão, revisão.

3- Formatações

– Extensão do arquivo

Já recebemos currículos em “bloco de notas”, o que resulta em um documento completamente desformatado e com parágrafos que se estendem ao infinito – afinal esse tipo de arquivo não tem margem direita, portanto, enquanto não for dado “enter” a linha não terminada.

– Formatação

Não é preciso escolher um tipo de letra bonitinha. O que é importante é que a letra seja fácil de ser lida, portanto as tradicionais “Times” e “Arial” resolvem bem o caso.

Outro problema é o uso de “templates”. Eles as vezes mais confundem do que embelezam, principalmente pelo fato de que a forma como esse “template” é apresentado varia de acordo com o leitor (word, html, outlook, pages) e com a versão de cada leitor, portanto, aquele currículo lindo, maravilhoso – todo coloridinho, que você está vendo na sua tela, não corresponde necessariamente à forma apresentada ao selecionador.

– Tamanho (Peso) do arquivo

Também já recebemos currículos extremamente pesados – com 4, 5 6 MB, isso normalmente acontece em currículos com fotos. Não há necessidade de se colocar fotos no currículo (salvo nos casos em que é solicitado pelo requisitante).

Para não errar use o formato PDF, pois este manterá as formatações originais e garantirá que a visualização do recrutador seja exatamente a mesma que a sua.

Contatos

Por mais incrível que se possa parecer, recebemos muitos currículos com e-mails errados ou pouco acessados e até telefones que não atendem ou mesmo não existem.

Curiosidades

Currículos ou cartas de apresentação com mensagens (e até imagens) religiosas, amorosas, carinhosas, desesperadas, pedidos de ajuda …

Se você quer deixar uma mensagem, então que esta explique, de forma clara e objetiva, as razões pelas quais você está se aplicando aquela vaga (ou empresa).

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Elaborar o currículo se colocando no lugar de um recrutador pode ser muito saudável. Se você fosse um recrutador, como gostaria de receber as informações do currículo? E mais, como gostaria de ser abordado?

Depois de elaborado peça para algum amigo, algum professor ou um consultor avaliá-lo. É sempre positivo recebermos, ao mínimo uma, segunda opinião.