Lean Start-up

As Start-ups estão na moda. O mito de hoje é crer que qualquer um pode se tornar um milionário da noite para dia na garagem da casa da sua mãe. Mas, como disse o filósofo Alain de Botton: as chances de isso acontecer não são maiores do que as chances de um plebeu se tornar um aristocrata na França do século XVIII. Portanto, aprender sobre o conceito de lean start-up é fundamental para quem quer concorrer nesta loteria.

Uma tradução literal para Lean Start-up seria “Empresa nova e enxuta”. O termo, assim como sua filosofia, foi emprestado da indústria: do Lean Manufacturing, que consiste na fabricação enxuta. Ou seja, Lean Start-up seria iniciar uma empresa da maneira mais enxuta possível.

Segundo a Wikipedia, o conceito foi produzido por Eric Ries e consiste em um processo usado por empreendedores para desenvolver produtos e mercados. Mas é a filosofia por de trás deste conceito que mais me atrai: errar cedo e aprender rápido com o próprio erro.

Desse modo, a ideia é produzir um protótipo mínimo necessário para rapidamente validar com o consumidor a sua ideia – coletando informações sobre o mercado e os clientes de modo a reestruturar o projeto logo no início. Aliás, muitos procuram por clientes para desenvolverem juntos o projeto (“projeto piloto”, por exemplo).

Essa metodologia é bastante similar a uma outra: o Design Thinking. Na verdade, o Design Thinking é parte integrante do Lean Start-up, pois ele também preconiza o envolvimento do cliente logo no início para testes em protótipos. A diferença é que no Lean Start-up pensamos como empresa – no todo, portanto a racionalização dos recursos se aplica a todos departamentos (administrativo, RH), enquanto que o Design Thinking fica mais restrito ao desenvolvimento do produto e do mercado.

Não poderia deixar de falar em outra ferramenta fundamental para o planejamento estratégico de uma Start-up: o Canvas, que nada mais é do que um quadro (uma matriz) para o exercício de modelagem de negócios. Apresento abaixo a matriz, poupando assim as explicações necessárias.

CANVAS

Se você quiser aumentar as probabilidades de sucesso em sua empreitada, além de aplicar o exercício do Canvas, recomendo a leitura de The Lean Startup, de Eric Ries e The Startup Owner Manual, de Steve Blank. E sobre design thinking, o livro Design Thinking Brasil, de Tennyson Pinheiro e Luis Alt vale a pena a leitura.

Sísifo e eu no trabalho

Meu próximo relatório será entalhado em uma pedra. Sim, redigirei em mármore, em alusão ao trabalho de Sísifo, que ainda hoje carrega, inutilmente, sua pedra de mármore morro acima.

Não sei quantos dos leitores já elaboraram ou ainda elaboram relatórios que não são usados para nada, e o pior, eles normalmente vêm com prazos de conclusão apertados. Quantos projetos são iniciados, consomem tempo e dinheiro e depois são abandonados?

Talvez os relatórios, devido às informações excessivas ou pelo fato de o solicitante não saber exatamente do que precisa, ou mesmo por não se poder fazer nada a respeito das informações relatadas, fiquem estacionados na mesa, sujeitos às ações do tempo – “é quando nossa pedra rola morro abaixo”. Quem sabe se os projetos, por serem mal elaborados – não definindo claramente seus objetivos, as metas, as tarefas, as ações e os prazos – acabem por se perder no caminho. Principalmente enquanto surgem os “incêndios” que necessitam combate.

Voltemos a Sísifo. Para quem não conhece a história, ele foi condenado pelos Deuses a passar toda a eternidade carregando uma enorme pedra de mármore até o cume de uma montanha. À medida que ele se aproxima do topo, a pedra rola morro abaixo por uma força à qual ele não consegue resistir, tendo, então, que descer ao sopé e retomar todo o trabalho.

O Mito de Sísifo nos mostra por que precisamos imediatamente remover do trabalho o desnecessário. Vamos focar no simples, no básico, no útil. Criamos tantos indicadores e tanta tecnologia da informação que já não sabemos o que fazer com eles. É importante lembrar que hoje temos altíssima eficiência na obtenção de dados e até mesmo na geração de informação mas, quando o assunto é a criação de conhecimento e, principalmente, a transformação desse conhecimento em resultados, a situação se inverte.

É possível que nossos avanços tecnológicos se deem em um sentido de facilitar o transporte dessa pedra. É como se buscássemos meios de obter mais força para carregá-la, mais eficiência, rapidez, melhores rotas para a travessia, maior conforto na execução da tarefa – e nunca nos preocuparmos em estudar o porquê ela cai, ou mesmo o porquê de a carregarmos.

Nesse ponto outra analogia se torna interessante: Sísifo recebeu essa sentença por ter desdenhado dos Deuses e enganado a morte por duas vezes. Será que estamos tentando enganar a morte? Ninguém quer mais envelhecer – é como se o velho hoje não fosse mais o sábio, e sim o jovem que domina essas novas tecnologias. Escondemos nossas rugas, pintamos nosso cabelo, fazemos plástica. Talvez para que a morte, ao nos ver, pense: “Puxa, acho que errei o dia. Cheguei antes do previsto. Deixe-me ver quem é o próximo de minha lista”.

E quanto a desdenhar dos Deuses? Deus (Deuses) está(ão), de fato,  presente(s) em nossas vidas? Parece que para nossa moderna sociedade não precisamos mais de Deus, a ciência pode nos dar todas as respostas. E olha que, em 1978, Raul Seixas já alertava: “E onde é que está a vida? Onde é que está a experiência? Já te entregam tudo pronto, sempre em nome da ciência, sempre em troca da vivência”.

Desejo que alcancemos maior realização em nossas vidas com simples atitudes como planejar nossas tarefas, focar no necessário, questionar nossos porquês, respeitar nossas divindades – lembrando-nos de que somos todos mortais.

Mas meu próximo relatório será na pedra, aludindo a Sísifo e enaltecendo Moisés, cujo relatório, feito na pedra,  é objetivo, claro, aplicável e ainda hoje respeitado.

Sua empresa saiu no Porta dos Fundos? Episódio 4 – Comunicação

A comunicação é algo automático. Logo que nascemos já começamos a fazer uso dela e seguimos pela vida usando-a a todo momento. Nos comunicamos falando, escrevendo, gesticulando, olhando. Estamos tão habituados a nos comunicar que nem percebemos a complexidade envolvida na comunicação. Só nos damos conta quando um mal-entendido acontece.

Criei este quadro para sintetizar os principais componentes da comunicação.

Comunicação

Tudo começa com uma fonte emissora, ou seja, com aquele que tem a intenção de transmitir uma mensagem, e termina naquele que recebeu esta mensagem (o receptor). Só haverá êxito se o significado gerado no receptor foi o mesmo que o emissor intentou, do contrário, a comunicação foi falha.

O grande problema é que para a transmitir uma mensagem é preciso antes codifica-la. Normalmente usamos as letras do alfabeto, combinando-as em palavras do idioma português – seja escrita ou oral. Mas essa codificação também pode se dar em outros idiomas, em hieróglifos, sinais, emoticons. Adoro os emoticons! O que seria de nossa comunicação no Face, no Whats se não fossem os emoticons ou os emojis? A língua é viva, e os emoticons são a prova disso!

Tem uma brincadeirinha bem legal na internet que retrata bem a questão de decodificação.

desafio vc a ler

No começo é difícil, a primeira palavra é impossível! mas, assim que compreendemos a regra da codificação, conseguimos decodificar quase que instantaneamente o restante do texto.

Após a codificação a mensagem tem condições de ser difundida através de alguns canais: voz, textos, desenhos, gestos. E assim o receptor poderá decodifica-la, gerando assim algum significado – exatamente como aconteceu na brincadeira acima.

E por falar em brincadeira, vamos então aos vídeos de Porta dos Fundos:

  1. Palavra da Salvação

Este vídeo deixa bem claro a importância do código usado na transmissão da mensagem. Se o emissor usar um código pouco conhecido pelo receptor, com certeza a mensagem chegará, no mínimo distorcida – e as vezes totalmente incompreendida.

De que é a responsabilidade sobre a comunicação? Do emissor? Do receptor? De ambos? Na minha opinião a responsabilidade é total do emissor, afinal é deste que parte a intenção.

Portanto, devemos estudar a fundo o nosso receptor: nível cultural, intelectual, idioma, gírias, faixa etária. Tudo que for necessário para se fazer entender.

  1. Mundo dos negócios

Este vídeo é muito interessante, não só pela questão da comunicação, como também pelo reflexo da nossa atuação no mundo organizacional. O chefe fala, fala, fala mas o subordinado não consegue entender. Ele se esforça, tenta realmente compreender, faz perguntas – mas se frustra. Só que a parte que coloca em risco seu emprego ele entende logo de cara: compreende facilmente que “o Ricardo do marketing falou” alguma coisa. Assim, de maneira bastante ardilosa, ele consegue reverter todo o cenário. E ao final, é ele quem admoesta o Ricardo.

 

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Espero que tenha gostado! Se não leu os outros 3 artigos da série, logo abaixo tem os links. No próximo mês explorarei o tema “Demissão”.

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Sua empresa está no Porta dos Fundos? Episódio 1- Surrealismo

Sua empresa está no Porta dos Fundos? Episódio 2 – Entrevistas

Sua empresa está no Porta dos Fundos? Episódio 3 – Profissionalismo

Crowdsourcing: Competências

Competência é um termo muito usado ultimamente na comunidade de recursos humanos e no mundo organizacional. A evolução da ciência da administração, principalmente no que concerne a gestão de pessoas, chegou na “era” da Gestão por Competências – que consiste em contratar, promover, remunerar, premiar e gerir os recursos humanos segundo os níveis de competências do funcionário.
É uma metodologia interessante, devidamente alinhada à meritocracia e que tem uma forte restrição: o alto grau de subjetividade.
A subjetividade já se inicia com a definição do próprio termo. Competência se origina do Latim competere, de com (junto) + petere (disputar, procurar, inquirir), portanto, carrega consigo o sentido de disputa, competição, luta; assim como o sentido de procura, inquisição, investigação – algo aparentemente bem diferente do sentido que usamos na Administração de Recursos Humanos, mas vejamos:
O primeiro sentido, o de luta, disputa ou competição – é plenamente condizente com os tempos modernos, haja visto que nunca se viu tanta competição quanto nos tempos de hoje – a luta pelo dinheiro do cliente, a luta por um emprego.
O segundo sentido, o de procura, inquisição ou investigação, leva ao uso jurídico da palavra, que acabou por significar jurisdição ou autoridade conferidas a um juiz ou a um tribunal – os devidos responsáveis pela procura e inquirição: aqueles notoriamente detentores do conhecimento.
Diante disso, uma pessoa competente é aquela com capacidade de vencer uma competição, logo, pode ser a ela conferida autoridade para executar ou liderar determinado grupo ou determinada situação.

competencia 1

Gosto da definição da Maria Tereza Leme Fleury que, além dos conceitos: conhecimento, habilidade e atitude, acrescenta o “resultado” – no quadro abaixo: “que agreguem valor econômico”.

competencia 2

Agora que já conseguimos um bom entendimento do conceito de competências, vem o pior: colocar esse conceito em prática, ou seja, (1) determinar o quanto uma pessoa é competente e (2) como me tornar competente.

Para “medir” o quanto uma pessoa é competente, temos que mais uma vez definir competência, só que agora uma competência em específico, por exemplo, competência em “Foco no cliente”. O que é ter foco no cliente? O que faz uma pessoa para podermos afirmar que ela tem foco no cliente? Como se comporta? Quais são os conhecimentos, habilidade e atitudes necessárias? Que tipo de resultado produz?

Como podem ver, tenho muitas perguntas, mas poucas respostas! Vamos aproveitar a maravilha da internet, das redes sociais para construirmos juntos esse conceito? Convido você a deixar sua opinião, suas respostas para os questionamentos acima. Deixe nos comentários abaixo ou no inbox. Participe desse crowdsourcing!

Na semana que vem, após compilar todas as opiniões, teremos melhor condição de discutir competências e, principalmente, de falar sobre (2) como desenvolvê-las.

Vamos montar juntos esse quadro:

competencia 3

Cuidados na entrevista de emprego – Lado B

Conforme combinado, darei seguimento no assunto “entrevista de emprego” agora sob a ótica do recrutador. Na semana passada abordei os cuidados para o entrevistado, ou seja, o candidato. Se ainda não leu, clique no link Cuidados da entrevista de emprego – Lado A

Começo com o maior de todos os erros! aquele que é líder disparado de reclamações: (1) a falta de retorno sobre os processos. É uma grande falta de respeito não dar o feedback para o candidato sobre sua evolução no processo! Ele tem o direito de saber sobre aquilo que envolve sua vida, suas decisões, sua família.

Escolhi também começar por esse item, não só por ser o mais crítico e frequente, como também por perceber a íntima relação entre esse erro e os erros do início do processo. Explico:

Entendo que antes de convidar alguém para uma entrevista o recrutador precisa fazer um estudo prévio da vaga e do currículo. Quanto mais ele (2) estudar a fundo o perfil da vaga e (3) os currículos recebidos, mais assertividade terá sobre os profissionais que serão abordados em uma (4) pré-entrevista por telefone. Esta pré-entrevista é mais uma triagem, ou seja, mais um momento gerador de assertividade, certificando-se então de que só sejam convidados para entrevistas aqueles aderentes ao perfil. Aqueles não aderentes, ou menos aderentes, já recebem o feedback ao final do telefonema, quando constatados as razões de desalinho. Tudo isso poupará tempo de ambos, evitará a criação de expectativas e o recrutador só terá que dar retornos somente aqueles que ele entrevistou pessoalmente.

Momento da entrevista

É importante o recrutador (5) quebrar o gelo antes do início, afinal a situação de entrevista é sempre estressante para o entrevistado e sabemos que uma pessoa sob estresse pode não conseguir mostrar-se ao todo, esquecendo-se de informações importantes, portanto, conversar sobre amenidades como clima, trânsito, programas de tv, tomar um cafezinho ou uma água – é estratégia interessante. O objetivo é ser simpático e deixar o candidato bem à vontade.

(6) Respeitar o horário é fundamental: horário de início e de fim. (7) não deixar que interrompam: não verificar e-mails, responder WhatsApp, atender ligações. Aquela uma hora (normalmente uma ou no máximo duas horas são suficientes) tem de ser de atenção total no candidato (e seu currículo) e na vaga.

(8) Explore todo o conhecimento técnico e atitudinal do candidato. (9) Faça bom uso das perguntas abertas e das fechadas. Explore toda a experiência, peça por exemplos. Use e abuse das perguntas enquanto o foco está na exploração dos aspectos profissionais. (10) Muito cuidado para tratar questões pessoais. O ser humano é integral, não acredito nessa história de vida pessoal e vida profissional – vida só temos uma, portanto, é difícil conhecer a fundo uma pessoa sem abordar aspectos pessoais. Mas até que ponto é importante para predição de resultados saber sobre suas preferências sexuais, por exemplo? ou seus ideais religiosos ou políticos? se gosta de festas e baladas ou é mais caseiro? Muito cuidado para não invadir a privacidade do indivíduo – lembre-se: ele também está escolhendo a empresa!

(11) Seja transparente nas informações, (12) não minta, (13) não prometa algo que não possa cumprir e (14) forneça o máximo de informações que puder: sobre o cargo, a empresa e as fases seguintes do processo.

Não poderia deixar de fora outro ponto muito importante: (15) os testes psicológicos. Primeiro: não faça uso de testes dos quais você não tenha pleno domínio! Segundo: lembre-se de os testes servem apenas como complemento da avaliação, ou seja, devem ser usados para confirmar as suas impressões sobre os candidatos ou para detectar algum ponto a ser investigado ou desenvolvido.

Após a entrevista:

(16) Siga informando o candidato quanto ao andamento do processo e, quando aprovado o finalista, (1) dê o retorno para todos aqueles que entrevistou.

Quero finalizar lembrando aos Lados A e B que o grande objetivo de uma entrevista é: colocar a pessoas certa no lugar certo! Portanto, não existe melhor ou pior, mas sim o mais indicado ou menos indicado para uma situação em específico. E que quanto mais transparente forem as partes, maior será a chance de acerto, ou seja: realização profissional, qualidade de vida, engajamento, agregação de valor, comprometimento, ética …

3 Erros do currículo

O currículo é o ponto de partida para qualquer processo seletivo. É o veículo de divulgação dos atributos de um profissional. Ele funciona como um material de propaganda – como acontece com os folhetos e páginas de divulgação de um produto ou serviço na internet.

O problema é que especificar e apresentar qualidades humanas, profissionais, é uma tarefa bastante complexa, por isso as pessoas seguem um determinado padrão, de modo a abranger todas as áreas a serem especificadas no documento e para facilitar a leitura do selecionador.

Normalmente o currículo é estruturado da seguinte maneira:

Estrutura CV

Seguir esse padrão é recomendável, pois os selecionadores conseguem visualizar com maior assertividade (e rapidez) as informações que procuraram. Mas o primeiro grande erro costuma acontecer logo no início, no tópico “Objetivo”:

1- Falta de clareza no objetivo

O primeiro erro que observamos com bastante frequência está no tópico “objetivos”. Esse campo é para ser preenchido com o nome do cargo que você quer ocupar (ou que ocupa). Caso suas experiências (e competências) sejam mais abrangentes, então você pode optar por colocar a sua área de atuação.

Recebemos muitos currículos com objetivos lindos, como: “me desenvolver nesta conceituada empresa”, “fazer parte de grande equipe”,

A primeira coisa que o recrutador precisa saber é sua área de atuação ou seu cargo.

No Linkedin o “campo objetivo” é aquele que fica bem embaixo do nome, onde o erro que temos visto é o de colocar “disponível para o mercado” ou “em busca de novos desafios”. No artigo “O que mais importa no currículo” abordo com maior profundidade sobre esse erro.

2- Erros de ortográficos

Sobre esse tópico não há muito o que falar, não é mesmo? Mas é importante ressaltar que os erros ortográficos e gramaticais são encontrados com uma certa frequência. O antídoto? Revisão, revisão, revisão.

3- Formatações

– Extensão do arquivo

Já recebemos currículos em “bloco de notas”, o que resulta em um documento completamente desformatado e com parágrafos que se estendem ao infinito – afinal esse tipo de arquivo não tem margem direita, portanto, enquanto não for dado “enter” a linha não terminada.

– Formatação

Não é preciso escolher um tipo de letra bonitinha. O que é importante é que a letra seja fácil de ser lida, portanto as tradicionais “Times” e “Arial” resolvem bem o caso.

Outro problema é o uso de “templates”. Eles as vezes mais confundem do que embelezam, principalmente pelo fato de que a forma como esse “template” é apresentado varia de acordo com o leitor (word, html, outlook, pages) e com a versão de cada leitor, portanto, aquele currículo lindo, maravilhoso – todo coloridinho, que você está vendo na sua tela, não corresponde necessariamente à forma apresentada ao selecionador.

– Tamanho (Peso) do arquivo

Também já recebemos currículos extremamente pesados – com 4, 5 6 MB, isso normalmente acontece em currículos com fotos. Não há necessidade de se colocar fotos no currículo (salvo nos casos em que é solicitado pelo requisitante).

Para não errar use o formato PDF, pois este manterá as formatações originais e garantirá que a visualização do recrutador seja exatamente a mesma que a sua.

Contatos

Por mais incrível que se possa parecer, recebemos muitos currículos com e-mails errados ou pouco acessados e até telefones que não atendem ou mesmo não existem.

Curiosidades

Currículos ou cartas de apresentação com mensagens (e até imagens) religiosas, amorosas, carinhosas, desesperadas, pedidos de ajuda …

Se você quer deixar uma mensagem, então que esta explique, de forma clara e objetiva, as razões pelas quais você está se aplicando aquela vaga (ou empresa).

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Elaborar o currículo se colocando no lugar de um recrutador pode ser muito saudável. Se você fosse um recrutador, como gostaria de receber as informações do currículo? E mais, como gostaria de ser abordado?

Depois de elaborado peça para algum amigo, algum professor ou um consultor avaliá-lo. É sempre positivo recebermos, ao mínimo uma, segunda opinião.

Dia 8 de março, um dia lindo!

Não gosto muito dessas datas tidas como especiais para grupos, gêneros ou raças específicas, pois entendo que qualquer distinção apenas reforça formas de preconcepção – quando o preconceito deixa de existir? Quando simplesmente não falamos dele.

É claro que deixar de falar no assunto não vai resolver a questão de uma hora para outra – como passe de mágica. O ponto que quero levantar é que: ter um dia específico para se comemorar o dia das mulheres só atesta que o preconceito ainda existe.

De qualquer modo, pior que não ver é ver e fingir que não vê, portanto: parabéns a mulheres!

No ano passado aproveitei a data para escrever sobre o que os homens têm a aprender com a liderança feminina (recomendo a leitura: Em louvor a liderança feminina). Esse ano quero aproveitar a data para compartilhar um pouco do que aprendi com o artigo de Robin Ely, Herminia Ibarra e Deborah Kolb: Mulheres em ascensão: barreiras invisíveis.

O ponto chave do artigo é o fato de que existe um viés de gênero na sociedade e nas organizações – que elas denominam: “segunda geração de preconceito de gênero“. “Segunda geração” por tratar-se de um preconceito não intencional, mas de grande impacto no desenvolvimento da liderança feminina.

Essa forma de preconceito é tão sutil que passa quase despercebida. Ele não traz um impacto direto, mas cria um contexto em que as mulheres não conseguem prosperar ou atingir seu pleno potencial. É tão sutil que muitas mulheres não se consideram vítimas de discriminação de gênero e até negam sua existência mesmo diante de fatos concretos e de reconhecer que é praticado contra as mulheres em geral – “sentir-se menos ligada aos colegas do sexo masculino, ser aconselhada a assumir uma função administrativa para acomodar a família, descobrir-se excluída para posições-chave — estas situações refletem estruturas e práticas de trabalho que colocam as mulheres em situação de desvantagem” (Herminia & Kolb, 2013).

O que acontece é que a sociedade e as empresas comunicam uma incompatibilidade entre como a mulher é vista (gentil, insegura, descompromissada) e as qualidades e experiências associadas aos líderes, como agressividade, segurança, voz ativa – o que não é verdade, pois há mulheres seguras, compromissadas e até agressivas, assim como há homens inseguros, descompromissados, além do mais o próprio estereótipo do líder já não é mais esse. Isso por si só já desmotiva as mulheres a se candidatarem a posições de liderança.

Outro fator importante é que um líder nunca está pronto. A liderança é situacional, variando de equipe para equipe e de momento para momento, desse modo o líder está sempre em construção em um processo interativo e a segunda geração de preconceito impede o incentivo e o apoio necessário para que as mulheres se desenvolvam através dos seus erros e acertos e que seus esforços sejam reconhecidos – “é preciso melhorar as chances das mulheres perceberem-se como líderes, serem reconhecidas como tal e, finalmente, terem sucesso” (Herminia & Kolb, 2013).

Além disso, a tendência humana de se juntar apenas a seus iguais leva os homens a contratar e promover apenas outros homens.

A solução? As autoras apresentam 3 ações:

(1) Educar as mulheres e os homens sobre a segunda geração do preconceito
O primeiro passo é reconhecermos que esse sutil viés de gênero existe e que, portanto, temos que focar no desenvolvimento da profissional e não nos estereótipos. “Padrinhos” e mentores podem oferecer o apoio necessário ao seu desenvolvimento.

(2) Criar espaços seguros para as mulheres trabalharem suas transições para papéis maiores.

A questão é que o ser-humano quando pressionado (se sentindo ameaçado) tende a errar mais e a se arriscar menos. Portanto, a criação de espaços seguros para aprendizagem e desenvolvimento, como programas de coaching, liderança, grupos de apoio, comunidades entre mulheres de postos semelhantes é fundamental.

(3) Apoiar o desenvolvimento ao invés de “combater” as formas como as mulheres são percebidas.

O foco dado no desenvolvimento da mulher-líder tem sido em como ela é percebida: sua postura, seu modo de vestir, de falar – partindo da premissa de que as mulheres não foram preparadas para competir, portanto, têm que aprender as características masculinas para melhor liderarem. O problema é que “as pessoas que se concentram em como os outros as percebem são menos claras em relação a seus objetivos, menos abertas a aprender com os erros e menos capazes de disciplinar-se” (Herminia & Kolb, 2013).

Portanto, ao invés de atentar para os estereótipos tidos como de liderança, melhor mesmo é focar nos resultados e metas, afinal o grande segredo da liderança consiste na criação e/ou comunicação de uma visão e objetivos comuns, e claro, concentrar-se também no desenvolvimento necessário para o atingimento dessas metas.

Sou um privilegiado! Trabalhar com recursos humanos tem me dado oportunidade de conhecer grandes profissionais mulheres. Nada têm de inseguras, emotivas ou indecisas, muito pelo contrário. As melhores são aquelas que descobrem que não precisam se masculinizar (não é preciso copiar um estilo Miranda – em O diabo veste Prada), precisam sim serem simplesmente elas mesmas, imprimindo seus pontos fortes, superando suas fraquezas e seguir aprendendo, aprendendo e aprendendo.

Não me resta dúvida de que um mundo liderado pelas mulheres será um mundo muito melhor, no mínimo mais justo e equilibrado.

Viva a competência feminina!

 

Brasil empreendedor

Visitei nesta segunda-feira, 22 de fevereiro, a Feira do Empreendedor Sebrae – SP 2016 e fiquei muito impressionado com a grandeza do evento, que contava com 6 salas do conhecimento, 6 salas de capacitação, 3 salas para temas específicos (moda, sustentabilidade, startup), cinema (Cine SEBRAE), estandes e: 88 oportunidades de franquias, 60 de representações e 72 de máquinas e equipamentos.

Fica muito aparente a qualidade do SEBRAE e, a julgar pelo grande movimento do evento, a garra do povo brasileiro. Aquele dito popular: “sou brasileiro, não desisto nunca” é muito verdadeiro. Por pior que estejam as coisas, o brasileiro segue persistindo.

Há muito se discute sobre o empreendedorismo no Brasil ser uma questão de subsistência ou sobrevivência. Eu entendo que o tema abrange um espectro que vai desde o ambulante, passando pelas pequenas e familiares empresas e chegando no empresário profissional ou mesmo nas jovens startups. E mesmo se tomarmos o ambulante como exemplo, podemos ver a riqueza das suas estratégias de vendas e, na maioria dos casos, tenho certeza de que estão fazendo muito mais dinheiro do que se estivessem empregados (nos cargos pelos quais o mercado de trabalho diz serem condizentes com suas competências profissionais).

Aí #ficaadica: enquanto o emprego não vem, nada nos impede de trabalhar: por que não vender seus serviços? por que não criar sua consultoria? por que não pegar alguma representação? por que não abrir ou criar uma franquia?

Como disse meu amigo Leonardo Queiroz, em relação a Feira do Empreendedor, em um dos seus posts aqui mesmo nessa rede: “SIM eu fui. Vejo que muitas pessoas se trancam nos escritórios e ficam atrás das mesas na busca de uma ‘ideia inovadora’, pois bem, nada melhor do que ir a uma feira e ver, e por que não até sentir, o que está ‘rolando’ de novo. Até o antigo pode ser reinventado”.

Para quem deseja empreender recomendo o estudo sobre o conceito “Lean Startup” (ou startup enxuta), uma metodologia que pode contribuir em muito com o desenvolvimento de um novo empreendimento. Ela parte do princípio de que os famosos planos de negócios já não funcionam como d’antes, pois hoje as mudanças são rápidas e constantes – um plano quinquenal, por exemplo, nos tempos atuais é mera ficção científica.

A ideia é criar rapidamente um produto mínimo viável e partir logo para a validação com os clientes. O princípio é: errar o quanto antes. Daí em diante segue-se um ciclo de: 1) ajustes, melhorias; 2) validação com o cliente – até que se obtenha uma versão economicamente viável, ou seja, que tenha valor para o cliente e que satisfaça às necessidades do empreendimento.

Resumidamente: “startup enxuta é uma organização temporária feita para buscar um modelo de negócios que possa ser reproduzido e ampliado” (Steve Blank, 2013).

Mesmo com nossos governantes não fazendo a sua parte no que diz respeito a proporcionar um cenário positivo para o desenvolvimento dos negócios, o brasileiro – seja por necessidade ou pela realização de sonhos – segue empreendendo e fazendo a sua parte para o crescimento do país.

Parabéns para aqueles que se arriscam na busca dos seus sonhos.

Para os Generais

Este é o último artigo de uma série que trata da situação atual do mercado de trabalho, onde procurei abarcar todos os possíveis papéis desempenhados pelos profissionais, quais sejam: poupado – aquele que sobreviveu aos cortes; demitido – aquele que sofreu sobremaneira o impacto da crise; demissor – a quem coube a tarefa de efetuar o desligamento (e até de escolher a quem desligar) e por fim, apresento agora o grande responsável: O General.

Pego emprestado o nome dado ao mais alto posto da hierarquia militar por acreditar que este é o que melhor representa o que desejo aqui passar. Quero deixar bem claro que o grande culpado pelas demissões é, sempre, a patente mais alta da organização.

Posso falar isso sem medo, afinal, é nobre o General que assume a responsabilidade. Não só dos seus atos, como também os dos membros de sua equipe. Não tem essa “conversa de que não sabia de nada”, afinal, é sua obrigação saber de tudo. Não tem esse “papo de que fulano fez isso ou aquilo” – função dele acompanhar de perto o andamento dos trabalhos. Não tem essa “história de ser pego de surpresa com intemperes, reveses, vicissitudes de mercado” – é obrigação prever os cenários possíveis.

Também entendo propício aludir o mercado de trabalho com a guerra, pois a competição entre as empresas representa de fato uma grande batalha, com direito a: guerra de preços, dumping, alianças, lobby, traições, espionagens, boicotes.

Quem está à frente dos negócios está verdadeiramente lutando pelo dinheiro dos consumidores e, se adotou uma estratégia desastrada, deve o quanto antes repensar os planos, reposicionar seus recursos, erguer a cabeça e trabalhar dobrado para reverter o processo e poupar a maior quantidade de vidas possível.

Infelizmente para eles não cabe desculpa, não cabe perdão – é preciso mais uma vitória, outra grande conquista, um novo triunfo – seja em outro exército, com os remanescentes ou até mesmo outro pelotão.

Ó belicoso General,

Sempre à frente de seu pelotão.

Espada desembainhada na mão

E espesso escudo no coração

Ó sabedor do peso de decisões

O preço mais caro – a vida

Do inimigo, crédito

Dos seus, débito

A sua, justo

Para os que sujaram as mãos de sangue

Os dois últimos artigos (de uma série de 4), trataram, respectivamente, as emoções vividas por aqueles que viram seus colegas serem desligados – em “Para os que ficaram”; e as emoções e tarefas a serem realizadas por aqueles que foram desligados – em “Para os que foram”.

Agora é a hora de tratar daqueles que fizeram com que as demissões acontecessem – aqueles que sujaram as mãos de sangue.

Demitir não é tarefa fácil. É uma das poucas situações em que conseguimos nos colocar fácil, e precisamente, no lugar do outro. Na verdade, a dor da perda do emprego é comparada a dor da perda de um ente querido ou de uma separação. Mas alguém tem que realizar essa desagradável tarefa – alguém tem que informar o profissional, e até mesmo formalizar a demissão. E essa responsabilidade cabe a seu gestor direto (seu chefe).

Nos casos de demissões por problemas com desempenho ou de relacionamento com colegas, fica bem mais fácil sujar as mãos se, após várias tentativas de correção, não se obteve êxito com melhora nos resultados ou nos relacionamentos. Neste caso, trata-se de lavar a alma com sangue. Pode parecer cruel da minha parte, mas em verdade a “morte” será boa até mesmo para a vítima (ninguém gosta de trabalhar em um lugar onde não se relacione bem ou onde não venha alcançando resultados).

Mas o problema acontece nos momentos de crise e reestruturação, pois, mesmo que o “assassino” culpe a crise ou o novo modelo de negócios, a vítima foi por ele escolhida. Mais ou menos assim: “Ok, entendo, é o momento que a empresa está passando, mas, por que eu e não ele?” Não adianta querer se isentar da responsabilidade.

Aja como um bom algoz, honrando a sua vítima. Como? A resposta está na cara. Basta seguirmos com essa analogia de “sangue e morte”: Julgamento, último desejo, extrema-unção, velório e ressureição. Explico:

Julgamento: seja claro e transparente a respeito dos motivos e das razões que o levaram a essa escolha. Explique sobre os procedimentos legais: datas, indenizações, tempo de assistência médica, apoio para recolocação.

 

Último desejo: Ouça com muito respeito. Deixe espaço para que o profissional possa expressar suas angústias, preocupações e sentimentos. Dê apoio emocional.

Extrema-unção: ajude a preparar a pessoa para “outra vida”. Mostre a ela que o mundo não acaba ali. Que há “vida” além dos vidros de sua “baia”. Ressalte todos os acertos que ela teve “nesta vida” (resultados, competências, responsabilidades). Demonstre o quanto tudo isso vai pesar “na hora do julgamento”.

Velório: reúna-se com sua equipe e comunique sobre o acontecido. Seja honesto, transparente e claro a respeito do que aconteceu. Peça para que todos ajudem na divulgação do perfil do profissional e na atenção às oportunidades relevantes de emprego.

Ressurreição: novo emprego! Vida nova!

Podemos até culpar a economia, a globalização, o concorrente, as inovações. Mas no fundo no fundo a culpa é mesmo do General – daqueles responsáveis por manter a empresa nos trilhos. Daqueles responsáveis por “ler” os cenários do econômicos e sentir o mercado.

Portanto, perdoe-se! Você fez o que tinha que ser feito. O General te colocou nessa posição, você só mirou e puxou o gatilho. A escolha não foi fácil – envolvia vidas, famílias, a empresa, sua equipe e até mesmo a sua vida.

“Matei porquê foi preciso. Matei para manter outros tantos vivos. Matei porquê vida é morte”.