Sísifo e eu no trabalho

Meu próximo relatório será entalhado em uma pedra. Sim, redigirei em mármore, em alusão ao trabalho de Sísifo, que ainda hoje carrega, inutilmente, sua pedra de mármore morro acima.

Não sei quantos dos leitores já elaboraram ou ainda elaboram relatórios que não são usados para nada, e o pior, eles normalmente vêm com prazos de conclusão apertados. Quantos projetos são iniciados, consomem tempo e dinheiro e depois são abandonados?

Talvez os relatórios, devido às informações excessivas ou pelo fato de o solicitante não saber exatamente do que precisa, ou mesmo por não se poder fazer nada a respeito das informações relatadas, fiquem estacionados na mesa, sujeitos às ações do tempo – “é quando nossa pedra rola morro abaixo”. Quem sabe se os projetos, por serem mal elaborados – não definindo claramente seus objetivos, as metas, as tarefas, as ações e os prazos – acabem por se perder no caminho. Principalmente enquanto surgem os “incêndios” que necessitam combate.

Voltemos a Sísifo. Para quem não conhece a história, ele foi condenado pelos Deuses a passar toda a eternidade carregando uma enorme pedra de mármore até o cume de uma montanha. À medida que ele se aproxima do topo, a pedra rola morro abaixo por uma força à qual ele não consegue resistir, tendo, então, que descer ao sopé e retomar todo o trabalho.

O Mito de Sísifo nos mostra por que precisamos imediatamente remover do trabalho o desnecessário. Vamos focar no simples, no básico, no útil. Criamos tantos indicadores e tanta tecnologia da informação que já não sabemos o que fazer com eles. É importante lembrar que hoje temos altíssima eficiência na obtenção de dados e até mesmo na geração de informação mas, quando o assunto é a criação de conhecimento e, principalmente, a transformação desse conhecimento em resultados, a situação se inverte.

É possível que nossos avanços tecnológicos se deem em um sentido de facilitar o transporte dessa pedra. É como se buscássemos meios de obter mais força para carregá-la, mais eficiência, rapidez, melhores rotas para a travessia, maior conforto na execução da tarefa – e nunca nos preocuparmos em estudar o porquê ela cai, ou mesmo o porquê de a carregarmos.

Nesse ponto outra analogia se torna interessante: Sísifo recebeu essa sentença por ter desdenhado dos Deuses e enganado a morte por duas vezes. Será que estamos tentando enganar a morte? Ninguém quer mais envelhecer – é como se o velho hoje não fosse mais o sábio, e sim o jovem que domina essas novas tecnologias. Escondemos nossas rugas, pintamos nosso cabelo, fazemos plástica. Talvez para que a morte, ao nos ver, pense: “Puxa, acho que errei o dia. Cheguei antes do previsto. Deixe-me ver quem é o próximo de minha lista”.

E quanto a desdenhar dos Deuses? Deus (Deuses) está(ão), de fato,  presente(s) em nossas vidas? Parece que para nossa moderna sociedade não precisamos mais de Deus, a ciência pode nos dar todas as respostas. E olha que, em 1978, Raul Seixas já alertava: “E onde é que está a vida? Onde é que está a experiência? Já te entregam tudo pronto, sempre em nome da ciência, sempre em troca da vivência”.

Desejo que alcancemos maior realização em nossas vidas com simples atitudes como planejar nossas tarefas, focar no necessário, questionar nossos porquês, respeitar nossas divindades – lembrando-nos de que somos todos mortais.

Mas meu próximo relatório será na pedra, aludindo a Sísifo e enaltecendo Moisés, cujo relatório, feito na pedra,  é objetivo, claro, aplicável e ainda hoje respeitado.

Sua empresa saiu no Porta dos Fundos? Episódio 4 – Comunicação

A comunicação é algo automático. Logo que nascemos já começamos a fazer uso dela e seguimos pela vida usando-a a todo momento. Nos comunicamos falando, escrevendo, gesticulando, olhando. Estamos tão habituados a nos comunicar que nem percebemos a complexidade envolvida na comunicação. Só nos damos conta quando um mal-entendido acontece.

Criei este quadro para sintetizar os principais componentes da comunicação.

Comunicação

Tudo começa com uma fonte emissora, ou seja, com aquele que tem a intenção de transmitir uma mensagem, e termina naquele que recebeu esta mensagem (o receptor). Só haverá êxito se o significado gerado no receptor foi o mesmo que o emissor intentou, do contrário, a comunicação foi falha.

O grande problema é que para a transmitir uma mensagem é preciso antes codifica-la. Normalmente usamos as letras do alfabeto, combinando-as em palavras do idioma português – seja escrita ou oral. Mas essa codificação também pode se dar em outros idiomas, em hieróglifos, sinais, emoticons. Adoro os emoticons! O que seria de nossa comunicação no Face, no Whats se não fossem os emoticons ou os emojis? A língua é viva, e os emoticons são a prova disso!

Tem uma brincadeirinha bem legal na internet que retrata bem a questão de decodificação.

desafio vc a ler

No começo é difícil, a primeira palavra é impossível! mas, assim que compreendemos a regra da codificação, conseguimos decodificar quase que instantaneamente o restante do texto.

Após a codificação a mensagem tem condições de ser difundida através de alguns canais: voz, textos, desenhos, gestos. E assim o receptor poderá decodifica-la, gerando assim algum significado – exatamente como aconteceu na brincadeira acima.

E por falar em brincadeira, vamos então aos vídeos de Porta dos Fundos:

  1. Palavra da Salvação

Este vídeo deixa bem claro a importância do código usado na transmissão da mensagem. Se o emissor usar um código pouco conhecido pelo receptor, com certeza a mensagem chegará, no mínimo distorcida – e as vezes totalmente incompreendida.

De que é a responsabilidade sobre a comunicação? Do emissor? Do receptor? De ambos? Na minha opinião a responsabilidade é total do emissor, afinal é deste que parte a intenção.

Portanto, devemos estudar a fundo o nosso receptor: nível cultural, intelectual, idioma, gírias, faixa etária. Tudo que for necessário para se fazer entender.

  1. Mundo dos negócios

Este vídeo é muito interessante, não só pela questão da comunicação, como também pelo reflexo da nossa atuação no mundo organizacional. O chefe fala, fala, fala mas o subordinado não consegue entender. Ele se esforça, tenta realmente compreender, faz perguntas – mas se frustra. Só que a parte que coloca em risco seu emprego ele entende logo de cara: compreende facilmente que “o Ricardo do marketing falou” alguma coisa. Assim, de maneira bastante ardilosa, ele consegue reverter todo o cenário. E ao final, é ele quem admoesta o Ricardo.

 

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Espero que tenha gostado! Se não leu os outros 3 artigos da série, logo abaixo tem os links. No próximo mês explorarei o tema “Demissão”.

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Sua empresa está no Porta dos Fundos? Episódio 1- Surrealismo

Sua empresa está no Porta dos Fundos? Episódio 2 – Entrevistas

Sua empresa está no Porta dos Fundos? Episódio 3 – Profissionalismo

Franquia: carreira empreendedora

Na semana passada, a Associação Brasileira de Franchising (ABF) realizou a 25ª. edição da Exposição de Franchising. O evento contou com uma quase incontável quantidade de franqueadores, distribuídos em mais de 20 setores da economia, com valores de investimento para todos os gostos, digo, bolsos, de R$ 10 mil a até mais que R$ 1 milhão.

Além das opções de franquias, o evento também contou com treinamentos e com a presença de diversos fornecedores, como instituições financeiras ávidas a financiar novos projetos, provedores de pagamento/recebimento eletrônicos e consultorias para apoiar projetos tanto de franqueadores quanto de pessoas interessados nas franquias.

A ABF, em parceria com o SEBRAE, oferece vários cursos para capacitação de franqueados e franqueadores, como:

– Entendendo o franchising

– Programa de capacitação em franchising

– Gestão de redes de franquias

– Locações comerciais

– E-franquias

A franquia se apresenta como uma boa opção para quem quer empreender, afinal, é uma maneira de começar com uma boa estrutura, ou seja, com know-how e uma marca já estabelecida. O franqueado “herda” o conhecimento em gestão do negócio, é apoiado pelo franqueador – que também tem interesse pelo seu sucesso – e se beneficia de todo o marketing realizado pelo franqueador.

É um bom atalho para quem quer iniciar um negócio, é claro que tem seu preço – a questão é avaliar o custo/benefício. E para essa avaliação, o profissional pode contar com a ABF, o SEBRAE e as consultorias especializadas neste assunto, como a AAClass Franquias, a qual recomendo por conhecer a fundo o trabalho realizado por Neca Fernandes.

Portanto, quem quiser estudar o assunto, visite a página da Expo 2016, da ABF e da AAClass. E atenção cariocas! De 6 a 8 de outubro a Expo acontecerá no Rio de Janeiro

Avalanche de informação

Felizes somos por viver em um período onde tanta informação está disponível, na palma da mão, 24 horas por dia.

Para aqueles viveram a censura ou a parcialidade de poucos veículos de comunicação disponíveis, hoje esses se multiplicaram – em velocidade exponencial, como que bactérias em placas de Petri abastecidas de rico BDA e em temperatura favorável -, através dos blogs e vlogs, nas redes sociais, portais e internet de modo geral.

O problema agora passa a ser outro: a qualidade, e até mesmo a veracidade, da informação. Não dá mais para acreditar em tudo que se lê! Antigamente, bastava a matéria ter saído em uma revista ou em um jornal para ser considerada verídica. Lembro do meu cunhado que toda vez que contava uma mentira, de brincadeirinha – é claro, dizia ao final: “é verdade, eu li em uma revista!”, não importava qual, bastava ter sido publicada.

O que acontece é que toda revista, todo jornal, tem um editor e tem um proprietário, e estes têm responsabilidade por aquilo que falam. Se ofenderem a algo ou alguém pode ser responsabilizados juridicamente. Mas hoje, qualquer um pode “sair por aí” difamando, mentindo, enganando pela internet. É claro que estes também podem ser responsabilizados, mas acontece que estão espalhados e escondidos atrás da rede.

Temos que tomar muito cuidado com o que compartilhamos, para não replicarmos bobagens ou mentiras. Compartilhei um áudio com a voz do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que falava mal dos cariocas e da Dilma. Fiquei indignado e compartilhei mesmo: crente de que exercia meu papel de cidadão, ajudando a limpar a política nacional. Até que um amigo me avisou que se tratava de uma brincadeira do Marcelo Adnet. Então questionei: “É verdade? Isso é muito sério!”. E ele me respondeu: “Verdade, mas qual o problema, o Adnet é um humorista e vive imitando as pessoas”. Realmente, o Adnet é um humorista: o problema não foi ele. Em seu canal, fica bem claro que é ele e que se trata de uma imitação. Na minha opinião, o problema neste caso reside na forma com que foi compartilhado: o autor queria apenas debochar do Paes, mas que compartilhou queria difamá-lo.

Separar o joio do trigo nunca foi tão difícil!

Um outro problema em relação a avalanche de informação é a utilidade. Será que realmente precisamos saber de tudo? Primeiro que costumamos confundir informação com conhecimento e segundo que podemos selecionar melhor as fontes e os assuntos.

Informação é apenas a apresentação de um dado ou acontecimento – informação é a previsão do tempo, é o relato de eventos. Já o conhecimento é que fazemos com as informações. A previsão do tempo informa: vai fazer frio, 12 graus pela manhã. Meu conhecimento “diz”: preciso me agasalhar.

Se pararmos para pensar, recebemos muita informação estúpida (ou no mínimo desnecessária). Estava assistindo a um jogo de futebol, quando o narrador trouxe a seguinte informação: “Os dois times já jogaram “x” vezes, o time A ganhou “x”, o time B ganhou “y” e aconteceram “n” empates. Fiquei pensando: do que me serve essa informação? Por algum acaso essa estatística teria o poder de predizer o resultado deste jogo? Claro que não! trata-se de informação útil apenas ao entretenimento, ou pior, apenas para torcedores fanáticos poderem dizer que seu time é melhor que o outro.

Agora mesmo, enquanto escrevo este artigo ouço a televisão gastar uns 5 minutos em uma matéria sobre o preço do feijão. Fico pensando: para que serve este tipo de matéria. Eu não precisava de um jornal para constar o aumento do preço – bastava ir ao mercado -, por sinal, quem é responsável pelas compras já deve ter constatado. Entendam, minha crítica é pelo fato de que o aumento do feijão se deu devido a problemas climáticos que implicaram na pouca oferta do produto, portanto, isso logo tende a se estabilizar. Quero ver por quanto tempo este preço se manterá. 10 dias, 30 dias, quem sabe até 2 meses: mas o fato é que é passageiro. Não se trata de nenhuma ruptura na cadeia produtiva do feijão, e sim de um fenômeno há muito conhecido pelos humanos: oferta x procura, que com a livre economia de mercado, tende a estabilizar-se.

O que agregou para mim esta matéria? nada! A não ser pelo fato de que terei de passar alguns dias sem este legume e adotando o uso de sucedâneos como: lentilha, grão de bico, ervilhas.

Uso muito a frase de Eleanor Roosevelt em minhas palestras e treinamentos:

“Grandes mentes discutem ideias; Mentes medianas discutem eventos; Mentes pequenas discutem pessoas”

Já repararam como a mídia passa a maior parte do tempo discutindo pessoas e eventos?

Eu reduzi bastante os veículos que me utilizo para receber informação. Hoje, basicamente me baseio em um jornal e uma revista – e muito livros, afinal estes ainda não se banalizaram tanto: os editores ainda têm papel de filtros importantes, e a publicação ainda custa bastante dinheiro. Mas atenção! os e-books vêm atravessando essas peneiras.

Hoje já se vê muitos anúncios de e-books gratuitos: não caia nessa! quando livros, cursos ou palestras são gratuitos, normalmente tratam-se de armadilhas para vender algo. Seus conteúdos são apenas “degustações”: para se obter o conhecimento mais profundo, você terá de contratá-lo.

Como sempre falo: os extremos são, na verdade, iguais. Se antes tínhamos problemas com escassez de informação, hoje temos problema com o excesso. Para nos protegermos devemos buscar veículos e autores de credibilidade e vez por outra procurar pela opinião de seus opostos e é claro: discutir ideias!

Sua empresa está no Porta dos Fundos? Episódio 3 – Profissionalismo

Este é o terceiro artigo da série: “Sua empresa está no Porta dos Fundos?”. O tema deste mês é: Profissionalismo. Quem não leu os outros artigos, ao final deste encontram-se os links para acessá-los.

Usamos o termo profissionalismo para qualificar aquilo que é feito de maneira profissional, ou seja, aquilo que é feito seguindo preceitos de um determinado conjunto social.

A palavra deriva de profissional, que por sua vez deriva de profissão. Profissão, em sua raiz etimológica, vem do latim Pro “à frente (dos outros)” + Fateri “reconhecer, confessar (suas escolhas – ou preferências)”.

Desse modo, profissional é aquele que confessa sua adesão à determinado grupo (a determinada ordem) e se compromete a seguir as convenções deste. Logo, profissionalismo é o profissional ou a organização (reforço o uso da palavra “organização” pois quero me referir a toda e qualquer forma de organização societária – ongs, empresas, sociedades anônimas, associações, conselhos) que age de acordo com os preceitos estabelecidos pela sua profissão – pela sua “religião”.

Mas vamos nos divertir um pouco agora:

  1. Tatuador

As empresas, principalmente em tempos de crise, costumam optar pela contratação de profissionais mais jovens, muitas vezes recém-formados, pois estes costumam ser mais baratos. O problema é que tem um componente da valorização de um profissional que se chama experiência. Costumamos pensar no profissional em termos de suas competências, que nada mais são do que o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (clique aqui para ler mais sobre competências), e para se obter conhecimento e, principalmente, habilidades, é preciso tempo e exposição às situações (problemas, desafios, crises, frustrações, realizações).

Claro que o jovem, o recém-formado, tem muito a contribuir – tem grande importância: imprime energia e inovação. O problema que estou tratando é expor um jovem a complexidades além das quais conseguiria suportar.

Outro ponto interessante deste vídeo é a brincadeira com os tutoriais disponíveis na internet. Realmente há muita informação, muito conteúdo, muito conhecimento na rede – tudo isso à nossa disposição, aumentando assim a pressão evolutiva nos profissionais. Eu não posso ser apenas bom, o básico já está disponível nas redes, eu tenho que ser um verdadeiro artista.

  1. Michelangelo

E por falar em ser um verdadeiro artista, vida de artista não é nada fácil. Estou usando o termo “artista” no sentido de profissionalismo, ou seja, emprego artista como sendo um profissional que se diferencia dos demais.

Muitas vezes nos sujeitamos a trabalhos mal remunerados simplesmente pelo potencial de exposição e desenvolvimento. Mas muito cuidado: não podemos nos depreciar ou se deixar abusar!

Outro ponto interessante deste vídeo é a capacidade de negociação, mais precisamente persuasão. Ele insiste, argumenta, e enquanto não apresenta o projeto não sossega.

  1. Spoleto

O vídeo do Spoleto mostra o problema da falta de profissionalismo (na verdade trata-se mesmo é da falta de educação. Este profissional não adotou nenhum sistema de agrupamento social).

Trata-se sim da falta de paciência, de respeito e atenção para com o cliente. O alerta que quero deixar é justamente esse: os profissionais que lidam diretamente com o cliente têm que ter muito, mas muito profissionalismo, afinal é ele quem paga nosso salário, não é mesmo?!?

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Bom lembrar que profissionalismo é o mínimo que se espera de um profissional, afinal, profissionalismo é atuar de acordo com as regras, normas e convenções de cada profissão, de cada cargo ou função – é algo pré-estabelecido, esperado. Seu cliente (interno ou externo) e seu chefe já criou essa expectativa.

Portanto, convido você a ir além: a superar expectativas! entregar mais do que fora convencionado, ir além, encantar – fazer de sua profissão uma verdadeira obra de arte.

Espero que tenha se divertido. Caso afirmativo, compartilhe, curta, comente! Dia 08/07 publicarei a parte 4 – tratando de Comunicação.

As lições de porta dos fundos para o mundo corporativo – Parte 1

As lições de porta dos fundos para o mundo corporativo – Parte 2

Competência: Foco no cliente

Para quem não acompanhou nossa jornada a respeito do tema “competência”, recomendo a leitura do artigo “Crowdsourcing: Competências” onde procurei apresentar uma definição de competência, e cuja proposta foi provocar a discussão a respeito de uma competência em específico, no caso: “Foco no Cliente”, para assim cocriar uma definição, diminuindo assim a subjetividade do tema e aumentando a sua compreensão.

Compilei todos os comentários de todas as mídias onde o artigo foi publicado (Linkedin, Facebook, Twitter e Instaram), resultando no quadro abaixo:

competencia 4

A medida em que respondemos a perguntas como: “O que é ter foco no cliente? O que faz uma pessoa para podermos afirmar que ela tem foco no cliente? Como se comporta? Que tipo de resultado produz?”; temos condições de ir classificando as palavras-chave entre conhecimento, habilidade, atitude e resultados. Depois, tendo essa visão geral expandida, podemos então sintetizar o quadro, na busca de uma simplificada definição. Minha sugestão para esse caso é:

“Compromete-se com a satisfação do cliente. Respeita, ouve e conhece as necessidades dos clientes e propõe soluções de acordo com essas necessidades”.

De posse dessa definição e do quadro analítico, temos melhor condição de discutir o desenvolvimento dessa competência, vejamos:

De acordo com nosso quadro, um(a) profissional focado no cliente conhece:

  • A necessidade do cliente
  • Os atributos do produto
  • O Negócios ou a Indústria
  • Negociação

Desse modo, para nos desenvolvermos nessa competência, precisamos estudar mais o cliente o negócio e o produto. Portanto, apostilas, manuais, treinamentos, pesquisas – podem facilmente proporcionar o desenvolvimento desta competência.

Na verdade, a parte da competência – Conhecimento – é facilmente adquirida através do: estudo, questionamento, reflexões, meditações, leituras.

Agora vejamos como se adquire habilidades. No nosso caso, definimos que habilidades em foco no cliente são:

  • Percepção
  • Empatia
  • Saber ouvir
  • Negociação
  • Argumentação

A habilidade se desenvolve praticando. A prática envolve o exercício e reflexão, por exemplo: para melhorar minha habilidade em ouvir eu tenho que me propor a ouvir o cliente e depois refletir sobre como foi essa escuta, procurando por pistas de como poder ouvir melhor da próxima vez.

Eu posso procurar por conhecimentos teóricos e técnicas a respeito do assunto e coloca-las em prática. Assim fazendo, com atenção, paciência e perseverança, com o tempo terei desenvolvido essa habilidade.

Por fim temos o quadro atitudes. É aí que “o bicho pega”. Como desenvolver o “interesse pelo cliente”, por exemplo? A coisa parece inata. É como se pessoas já nascessem com interesse pelo cliente ou não. Se nunca me interessei por ele, como posso agora passar a me interessar?

Pois bem, quando falamos do desenvolvimento de atitudes, temos que falar em crenças, valores, princípios. A partir do momento que adquiro a crença de que “é cliente quem paga meu salário”, por exemplo, automaticamente passo a ter maior interesse por ele. Desse modo, desenvolver atitudes é ao mesmo tempo a coisa mais fácil e mais difícil de se conseguir. Fácil porquê uma vez adquirida, torna-se automática; difícil porque para adquiri-la se faz necessária uma profunda mudança de valores.

Agora coloque tudo isso no liquidificador e bata. Isso mesmo, para o desenvolvimento de competências todas essas “técnicas” têm de andar juntas, ou seja, treinamento, estudo, reflexão + treino, prática, exercício + questionamentos e meditações profundas à respeito de princípios, metafísica, natureza das relações e das coisas.

Por isso, ao adotar um modelo de gestão por competências, toda uma cultura de competências deve ser também adotada. Um plano de desenvolvimento holístico e sistêmico deve ser implementado – muito treinamento, coaching, mentoring, comunidades de prática, gestão do conhecimento serão necessários!

Crowdsourcing: Competências

Competência é um termo muito usado ultimamente na comunidade de recursos humanos e no mundo organizacional. A evolução da ciência da administração, principalmente no que concerne a gestão de pessoas, chegou na “era” da Gestão por Competências – que consiste em contratar, promover, remunerar, premiar e gerir os recursos humanos segundo os níveis de competências do funcionário.
É uma metodologia interessante, devidamente alinhada à meritocracia e que tem uma forte restrição: o alto grau de subjetividade.
A subjetividade já se inicia com a definição do próprio termo. Competência se origina do Latim competere, de com (junto) + petere (disputar, procurar, inquirir), portanto, carrega consigo o sentido de disputa, competição, luta; assim como o sentido de procura, inquisição, investigação – algo aparentemente bem diferente do sentido que usamos na Administração de Recursos Humanos, mas vejamos:
O primeiro sentido, o de luta, disputa ou competição – é plenamente condizente com os tempos modernos, haja visto que nunca se viu tanta competição quanto nos tempos de hoje – a luta pelo dinheiro do cliente, a luta por um emprego.
O segundo sentido, o de procura, inquisição ou investigação, leva ao uso jurídico da palavra, que acabou por significar jurisdição ou autoridade conferidas a um juiz ou a um tribunal – os devidos responsáveis pela procura e inquirição: aqueles notoriamente detentores do conhecimento.
Diante disso, uma pessoa competente é aquela com capacidade de vencer uma competição, logo, pode ser a ela conferida autoridade para executar ou liderar determinado grupo ou determinada situação.

competencia 1

Gosto da definição da Maria Tereza Leme Fleury que, além dos conceitos: conhecimento, habilidade e atitude, acrescenta o “resultado” – no quadro abaixo: “que agreguem valor econômico”.

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Agora que já conseguimos um bom entendimento do conceito de competências, vem o pior: colocar esse conceito em prática, ou seja, (1) determinar o quanto uma pessoa é competente e (2) como me tornar competente.

Para “medir” o quanto uma pessoa é competente, temos que mais uma vez definir competência, só que agora uma competência em específico, por exemplo, competência em “Foco no cliente”. O que é ter foco no cliente? O que faz uma pessoa para podermos afirmar que ela tem foco no cliente? Como se comporta? Quais são os conhecimentos, habilidade e atitudes necessárias? Que tipo de resultado produz?

Como podem ver, tenho muitas perguntas, mas poucas respostas! Vamos aproveitar a maravilha da internet, das redes sociais para construirmos juntos esse conceito? Convido você a deixar sua opinião, suas respostas para os questionamentos acima. Deixe nos comentários abaixo ou no inbox. Participe desse crowdsourcing!

Na semana que vem, após compilar todas as opiniões, teremos melhor condição de discutir competências e, principalmente, de falar sobre (2) como desenvolvê-las.

Vamos montar juntos esse quadro:

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Feedbacks em processos seletivos

Após os 2 artigos da série sobre entrevista de emprego (Cuidados da entrevista de emprego- Lado A e Cuidados da entrevista de emprego – Lado B), percebi, através dos comentários dos meus amigos do Linkedin, que a questão do suprimento de informações sobre o andamento do processo por parte do selecionador para com o candidato é um ponto crítico.

Resolvi então escrever nesta semana especificamente sobre esse item. Vou tentar deixar mais claro minha opinião a respeito deste tema:

É importante ressaltar que o selecionador não é obrigado a dar retornos aos currículos apresentados. Mesmo que ele quisesse, não teria condições físicas de explicar para 10, 200 ou 500 currículos, a razão do preterimento no processo.

Na fase de avaliação de currículos o volume de trabalho é muito grande e as razões para desclassificação são diversas – inclusive muitos enviam seus currículos sem ter algo a ver com a vaga. As vezes até a própria descrição da vaga é pobre, de modo a confundir o candidato. Portanto, enviar currículo para a vaga e não ter resposta alguma é permitido!

Desse modo, nossa conversa começa a ficar interessante a partir do momento em que se contata o candidato. Depois de uma abordagem por telefone, ou mesmo troca de e-mail tirando dúvidas a respeito da trajetória do profissional, o posicionamento deste em relação ao processo passa a ser obrigatório.

Se o selecionador percebeu, durante a ligação (ou pela resposta ao e-mail), que o profissional não está adequado ao perfil da vaga, ele deve aproveitar o momento para já avisar sobre os pontos de desalinho. O melhor a fazer é dizer logo e não carregar esta pendência – mesmo porque depois fica difícil lembrar essas razoes.

Se o candidato prosseguir no processo, então o selecionador passa a ter um envolvimento ainda maior e as expectativas (de ambas as partes) aumentam. A partir desse momento, se antes o retorno era obrigatório, agora passa a ser um crime – sob pena de ficar recebendo e-mails ou ligações de candidatos preocupados com a evolução do processo.

Portanto, se o candidato estiver diante de um bom profissional de seleção, ele nem precisará entrar em contato para saber sobre o andamento do trabalho – salvo a questão da ansiedade – ou melhor dizendo, da percepção do tempo. Para o recrutador o tempo passa rápido – e muita gente para entrevistar, muitos relatórios e avaliações para fazer… já para o candidato o tempo é lento, a entrevista foi ontem, mas parece que já faz uma semana.

Diante do exposto, minha recomendação é a seguinte:

1) Envie um e-mail no mesmo dia ou até o dia seguinte: dizendo que ficou contente por participar do processo e que está disponível e ansioso para trabalhar na empresa.

2) Se em até 10 dias o selecionador não der uma posição à respeito do processo: outro e-mail pode ser passado, questionado o andamento do mesmo. Atenção: pergunte sobre o andamento do processo e não sobre seu desempenho no mesmo.

3) Se ainda assim não tiver resposta: desista! Não vale a pena ficar cobrando uma posição desse tipo de profissional. Vire a página, siga seu caminho.

4) Caso haja resposta quando do item 2, siga um padrão de acompanhamento, através de e-mails, a cada 7 ou 10 dias (ou pelo prazo acordado pelo selecionador).

Como diz o ditado popular: o combinado não é caro. Portanto, aquele recrutador que combina os momentos e as formas de reporte não é incomodado pelos candidatos aflitos – carentes de informação; e o candidato não se sente mendicante.

Cuidados na entrevista de emprego – Lado B

Conforme combinado, darei seguimento no assunto “entrevista de emprego” agora sob a ótica do recrutador. Na semana passada abordei os cuidados para o entrevistado, ou seja, o candidato. Se ainda não leu, clique no link Cuidados da entrevista de emprego – Lado A

Começo com o maior de todos os erros! aquele que é líder disparado de reclamações: (1) a falta de retorno sobre os processos. É uma grande falta de respeito não dar o feedback para o candidato sobre sua evolução no processo! Ele tem o direito de saber sobre aquilo que envolve sua vida, suas decisões, sua família.

Escolhi também começar por esse item, não só por ser o mais crítico e frequente, como também por perceber a íntima relação entre esse erro e os erros do início do processo. Explico:

Entendo que antes de convidar alguém para uma entrevista o recrutador precisa fazer um estudo prévio da vaga e do currículo. Quanto mais ele (2) estudar a fundo o perfil da vaga e (3) os currículos recebidos, mais assertividade terá sobre os profissionais que serão abordados em uma (4) pré-entrevista por telefone. Esta pré-entrevista é mais uma triagem, ou seja, mais um momento gerador de assertividade, certificando-se então de que só sejam convidados para entrevistas aqueles aderentes ao perfil. Aqueles não aderentes, ou menos aderentes, já recebem o feedback ao final do telefonema, quando constatados as razões de desalinho. Tudo isso poupará tempo de ambos, evitará a criação de expectativas e o recrutador só terá que dar retornos somente aqueles que ele entrevistou pessoalmente.

Momento da entrevista

É importante o recrutador (5) quebrar o gelo antes do início, afinal a situação de entrevista é sempre estressante para o entrevistado e sabemos que uma pessoa sob estresse pode não conseguir mostrar-se ao todo, esquecendo-se de informações importantes, portanto, conversar sobre amenidades como clima, trânsito, programas de tv, tomar um cafezinho ou uma água – é estratégia interessante. O objetivo é ser simpático e deixar o candidato bem à vontade.

(6) Respeitar o horário é fundamental: horário de início e de fim. (7) não deixar que interrompam: não verificar e-mails, responder WhatsApp, atender ligações. Aquela uma hora (normalmente uma ou no máximo duas horas são suficientes) tem de ser de atenção total no candidato (e seu currículo) e na vaga.

(8) Explore todo o conhecimento técnico e atitudinal do candidato. (9) Faça bom uso das perguntas abertas e das fechadas. Explore toda a experiência, peça por exemplos. Use e abuse das perguntas enquanto o foco está na exploração dos aspectos profissionais. (10) Muito cuidado para tratar questões pessoais. O ser humano é integral, não acredito nessa história de vida pessoal e vida profissional – vida só temos uma, portanto, é difícil conhecer a fundo uma pessoa sem abordar aspectos pessoais. Mas até que ponto é importante para predição de resultados saber sobre suas preferências sexuais, por exemplo? ou seus ideais religiosos ou políticos? se gosta de festas e baladas ou é mais caseiro? Muito cuidado para não invadir a privacidade do indivíduo – lembre-se: ele também está escolhendo a empresa!

(11) Seja transparente nas informações, (12) não minta, (13) não prometa algo que não possa cumprir e (14) forneça o máximo de informações que puder: sobre o cargo, a empresa e as fases seguintes do processo.

Não poderia deixar de fora outro ponto muito importante: (15) os testes psicológicos. Primeiro: não faça uso de testes dos quais você não tenha pleno domínio! Segundo: lembre-se de os testes servem apenas como complemento da avaliação, ou seja, devem ser usados para confirmar as suas impressões sobre os candidatos ou para detectar algum ponto a ser investigado ou desenvolvido.

Após a entrevista:

(16) Siga informando o candidato quanto ao andamento do processo e, quando aprovado o finalista, (1) dê o retorno para todos aqueles que entrevistou.

Quero finalizar lembrando aos Lados A e B que o grande objetivo de uma entrevista é: colocar a pessoas certa no lugar certo! Portanto, não existe melhor ou pior, mas sim o mais indicado ou menos indicado para uma situação em específico. E que quanto mais transparente forem as partes, maior será a chance de acerto, ou seja: realização profissional, qualidade de vida, engajamento, agregação de valor, comprometimento, ética …

Cuidados da entrevista de emprego – Lado A

Entrevista, em sua raiz etimológica, é uma visita – do francês entrevue, “ato de ver um ao outro, breve visita”, que por sua vez deriva do latim inter, “entre”, mais vedere, “ver”.
Partindo desse ponto de vista, podemos refletir sobre como gostaríamos que um convidado reagisse ao nosso convite e como esperamos que este se comporte durante a visita.

Antes:

Quanto ao convite, o que se espera primariamente é o aceite, afinal, quem convida tem algum interesse, algum objetivo a ser atingido como resultado deste encontro. Claro que nos convites sociais e pessoais este interesse pode ser apenas: confraternizar ou passar momentos agradáveis junto aqueles com quem nos afinamos. Mas mesmo nos convites de cunho profissional, aquele que convida entende que seu convidado atende a seus interesses, e espera um sim como resposta.

Acontece que, se você está satisfeito com seu emprego e/ou não vê nada de interessante na proposta do “anfitrião”, (1a) declinar ao convite pode ser a melhor resposta, poupando assim o tempo de ambos.

O problema é que ter certeza em relação a isso não é tarefa fácil: durante o convite pouco se sabe a respeito da vaga e da empresa, e medir a satisfação com o emprego é tarefa complexa, portanto, (1b) talvez seja interessante aproveitar esta oportunidade para conhecer novas pessoas e empresas, ampliando assim sua network – mas cuidado, procure não levantar expectativa e se possível explique sobre esta situação. Na verdade, o convite já deve ser pré-entrevista – um bom entrevistador consegue constatar a validade do prosseguimento do convite. Além do mais, deve fornecer a maior quantidade de informações possíveis sobre os objetivos do “evento”. Verdade e transparência é sempre bem-vindo – das suas partes!

Uma vez que aceitou o convite, o que espera do partícipe é que (2) não falte ao evento ou que cancele de última hora – como última hora entendo pelo menos 24 horas de antecedência, lembrando que: quanto maior melhor.

Estudo prévio:

Ao visitar um amigo ou ir a uma festa, espera-se que se saiba antecipadamente dos gostos do anfitrião, das características da família, traje do evento e assim por diante – o mesmo é válido para a entrevista de emprego:

(3a) Estude a empresa e o segmento em que atua. Pesquise na internet, converse com quem trabalha ou já trabalhou, passe em frente da sede, estude os concorrentes. Quanto mais informação melhor. Estude também sobre o cargo em questão e se possível sobre o recrutador.

E é claro: (3b) estude sobre você. O bate papo girará em torno de você. O objetivo desta “visita” é te conhecer! Portanto, tenha suas competências na ponta da língua – recorde as situações onde pode demonstrá-las. Reconheça seus pontos fracos, ou seja, aquilo em que pode melhorar.

Durante a entrevista:

Um bom convidado sabe da importância de (4) chegar no horário, e no caso de entrevista, chegue antes – 10 a 15 minutos, mais do que isso também não é legal. Se chegar muito cedo, “faça hora” nas redondezas – tome um café, veja algumas vitrines.

(5) Vá vestido à caráter, ou seja, de acordo com o que se preconiza na empresa. Não sabe? Pois deveria ter descoberto isso quando dos estudos sobre a empresa (item 3a). O segmento e o nível do cargo podem dizer muito sobre isso. Ainda assim não deu para saber? Então arrisque para mais. Homens – terno e gravata, pois se perceber que o ambiente é mais descontraído, é só tirar a gravata e o paletó. Mulheres – aposte na sobriedade – nada de decote, transparência, excesso de maquiagem. E é sempre bom lembrar do asseio: barba feita, roupa limpa e passada, unhas cortadas, cabelos arrumados.

Chegou no horário, vestiu-se condizentemente com o cargo/empresa, está asseado, foi educado quanto aos cumprimentos – então você já superou mais de 50% da entrevista. Afinal, todos sabem da importância da primeira impressão – abre portas e deixa a entrevista fluir com maior suavidade.

(6) Por favor: desliguem os seus celulares

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(7) Não fale demais e não fale de menos! Parece difícil não? Mas não é. A dica é bem simples: procure responder apenas o que foi perguntado. Não queira ficar inventando ou enfeitando demais, não precisa – expor seus resultados e a forma como os alcançou, com certeza, bastará. (8) E não queira conduzir a entrevista – deixe tudo nas mãos do recrutador, espera-se que ele saiba o que está fazendo. Convidado chato é aquele que não deixa ninguém falar!

(9) Não fale mal das empresas e dos chefes para os quais trabalhou e (10) não exponha informações confidenciais – você pode substituir números brutos da companhia por porcentagem, por exemplo.

(11) Cuidado ao usar as palavras “eu fiz”, “eu consegui”, “dinâmico”, “proativo”. Se você fez a lição de casa do item (3b), então terás coisas muito mais interessantes para dizer!

(12) Esteja preparado para falar sobre o(s) desligamento(s) nas outras empresas. Seja o mais transparente possível – digo “o mais possível” pois essa transparência não deve infringir o item (9). Portanto esteja preparado!

Um bom recrutador, conduzindo uma boa entrevista, abrirá espaço para seus questionamentos, portanto, (13) esteja preparado para sanar as suas dúvidas, afinal, em um processo seletivo ambos estão se avaliando. E por mais incrível que se possa parecer, (14) não pergunte sobre salário. É esperado que você tenha sido questionado sobre sua pretensão salarial, logo, se estais avançando no processo, entende-se que sua pretensão está, no mínimo, próxima do salário oferecido. Além do mais, salário é assunto para a última fase de um processo seletivo. Portanto, não insista sobre salário e sobre outras informações confidenciais (da vaga e/ou da empresa).

Depois da visita:

Um e-mail agradecendo pela oportunidade de se conhecerem e de fazer parte do processo, e reforçando o interesse pela vaga/empresa pode ser uma estratégia gentil. Mas (15) ficar ligando ou passando e-mails cobrando por uma resposta é bastante desagradável. Eu sei! todo recrutador deveria oferecer feedback sobre sua evolução no processo, mas não vai ser sua insistência que fará um mal recrutador dar retorno – para minimizar suas chances de cair na antipatia, melhor mesmo é apenas agradecer e esperar.

Gostaria de finalizar com um item que acho bastante importante: (16) leilão de salário! No meu entender fazer esse tipo de leilão é muita falta de profissionalismo. Um bom profissional tem muito claramente seus objetivos de carreira, isto incluí os objetivos financeiros. De modo que em um processo seletivo, salário se negocia, mas não se barganha!

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Se você conseguiu chegar até aqui, está curioso sobre o título e tem mais de 30 anos, explico: hoje tratei da entrevista sobre o ponto de vista de quem está sendo entrevistado. Na semana que vem tratarei do entrevistador (recrutador), portanto, o lado B.
Se quiser mais algumas dicas de entrevista, recomendo a matéria do vagas profissões: 4 dicas para entrevista de emprego